10 motivos para toda garota assistir Labirinto

Também “10 motivos para toda criança assistir Labirinto” ou “10 motivos que Sarah Williams devia ser sua heroína”.

Quem assistiu esse filme e nunca pensou em “dizer as palavras certas” que atire a primeira pedra. Labirinto é um filme de 1986, dirigido por Jim Henson, estrelando David Bowie e Jennifer Connelly.

O longa-metragem conta a história de Sarah Williams, uma adolescente por volta de seus 15 anos que vive no mundo da lua e briga muito com seu pai e sua madrasta. Uma noite, ela precisa tomar conta de seu irmão mais novo, Toby, que não para de chorar, então Sarah conta pra ele a história do rei dos duendes e o chama para buscar seu irmão, o problema é que ela não achava que isso realmente fosse funcionar.

Verdade seja dita, esse filme devia ser visto por todas as crianças, mas acredito que particularmente para as meninas as mensagens sejam ainda mais fortes. Sarah é uma personagem que as garotas deviam olhar como um exemplo.

Antes de começar a lista é bom avisar: Esse texto está cheio de spoilers. (eu prometo que “David Bowie” não vai ser um dos motivos da lista)

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“Volte Sarah, volte enquanto ainda dá tempo”

Não voltou? Então tá bom, vamos lá.

  • Acredite se quiser, Sarah é responsável.

“Mas ela mandou o irmão embora!” e qual de vocês realmente acharia que “Eu gostaria que o rei dos duendes viesse te buscar agora mesmo” faria com que o David Bowie entrasse pela sua janela com glitter? Talvez se as pessoas achassem que isso fosse acontecer, diriam essa frase muito mais vezes. Vai que funciona?

Piadas à parte, Sarah é uma garota sonhadora e Jareth a oferece seus sonhos. Ela podia aceitar, ela podia esquecer que o irmão dela existia e viver no seu mundo da fantasia, mas ela não faz. Por mais que Sarah estivesse furiosa com seu irmão, ela sabe que o que ela disse veio no momento da raiva e que não pode deixar Toby ser levado.

Ela podia também estar com medo da reação dos pais, com medo do rei dos duendes logo ali na frente dela, mas todas essas preocupações poderiam magicamente desaparecer se ela aceitasse a oferta de Jareth de primeira. Ela não aceita, ela sabe que fez algo errado. E sabe o que mais? Tudo bem fazer a escolha errada, tudo bem se deixar levar uma vez ou outra pela raiva. Você vai lá e conserta, faz melhor da próxima vez. Sarah aceita o desafio de resgatar o irmão dela, porque é a coisa certa e responsável a fazer.

  • Eu não tenho medo de você.

Sarah e Jareth se encontram quatro vezes durante o filme, três delas Sarah está em uma posição de desvantagem em relação a ele, mas mesmo assim ela vai em frente e o enfrenta. Nessas três, é claramente visível que ela está com medo ou não sabe o que fazer, mas Sarah também sabe que se ela deixar ele ver isso, Jareth vai tirar proveito e ela vai perder.

Jareth sabe que ele tem a vantagem, Sarah é uma adolescente que está perdida no mundo dele, e como rei dos duendes ele provavelmente já passou por isso várias vezes. Jareth sabe que ele não precisa fazer muito pra assustá-la ou intimidá-la. Meninas são ensinadas e cederem quando um homem mais velho ou numa posição maior que a dela fala ou faz alguma coisa. O que muitas vezes nós não ensinamos para as garotas é que elas precisam se impor, Jareth não é melhor que Sarah porque ele é um rei ou porque tem magia, e ela prova ao desafiá-lo, mesmo sabendo que ele vai dificultar as coisas pro lado dela.

  • Nem tudo é o que parece

Ao lado de “isso não é justo”, essa é provavelmente uma das falas mais ditas durante o filme todo. Sarah não aprende essa lição de primeira, mas assim que vê, no começo do filme, que uma parede na verdade esconde entradas para o resto do Labirinto, ela aceita essa regra e começa a vencer outros desafios.

O Labirinto não é o que parece, às vezes as pessoas não são o que parecem e as aparências enganam. Quando não ensinamos as pessoas a questionarem, irem a fundo e procurar outros jeitos de ver alguma coisa, ficamos presos em apenas uma perspectiva. No caso de Sarah, se ela não tivesse ouvido a minhoca falando sobre a parede do Labirinto, ela teria continuado indo pro mesmo lado e nunca teria chegado onde precisava. Às vezes nós precisamos procurar ver as coisas de outras formas para termos respostas ou alternativas melhores.

  • Vou fazer porque você disse que eu não posso.

Não é uma fala do filme, mas poderia muito bem ter sido. Quantas vezes dizem para Sarah pra ela voltar, que é muito perigoso e ela não vai conseguir? Sarah ignora esses comentários, ela tem um objetivo e foco, ela sabe que vai chegar lá de qualquer jeito, mesmo que o mundo todo diga que ela não vai conseguir.

Sabe aquele sonho maluco que ninguém acha que vai dar certo? Aquele seu objetivo que todo mundo diz pra você desistir? Sempre vão existir pessoas que vão tentar te desencorajar e te fazer parar, mas você não pode desistir. O importante é juntar esse tópico com o tópico acima, tentar ver as coisas de um modo diferente pra chegar lá.

Aposto que Sarah podia ter usado vários caminhos para chegar ao centro do labirinto, às vezes ela avançava, às vezes as coisas davam errado… Quando um plano não funcionava, ela tentava uma coisa nova até conseguir. Não tem problema mudar os planos e os caminhos, contanto que eles te levem ao seu objetivo.

  • “Isso não é justo, mas é assim que as coisas são”

Lição do filme ou lição da vida? Um pouco dos dois.

Sarah repete várias vezes durante o filme “Isso não é justo”. E não é mesmo, Jareth consegue mudar o labirinto inteiro com sua magia e Sarah nem tinha ideia que seu desejo ia se tornar realidade. Sarah reclama bastante disso, mas durante o filme, lá pela metade, ela adiciona no final da frase “É assim que as coisas são”.

Ela aprende que se ela só reclamar e não fizer nada em relação a isso, nada vai mudar. Então ela aceita o fato de que as coisas não são justas e continua tentando recuperar o irmão mesmo assim, continua tentando fazer as coisas serem justas. Todo mundo chega em um momento da vida em que pensamos “é, as coisas não são justas”, mas a diferença é o que nós fazemos em relação a isso. Tentamos mudar ou desistimos? Sarah continua tentando.

  • A esperteza de Sarah vence a magia de Jareth

Jareth tira o tempo dela, manda criaturas do labirinto em sua direção e até usa um pêssego envenenado para fazê-la desistir. Em todas essas tentativas, Sarah vence, ela pensa em alguma coisa e consegue se livrar.

Sarah é esperta, uma das cenas em que isso fica mais claro é quando ela fala com as portas da verdade e da mentira. Sarah descobre qual delas é a verdadeira enquanto algumas pessoas assistem o filme várias vezes sem entender. Ela pode não saber lutar contra todos os duendes como uma guerreira ou fazer um feitiço como Jareth, mas ela sempre arruma um truque para vencer.

A magia de Jareth o deixa alguns passos a frente. Sarah sabe disso, mas ela também sabe que não pode desistir só porque ele parece ser mais poderoso. Mesmo que não sejamos tão fortes quanto a outra pessoa, podemos usar outras habilidades nossas, como a esperteza, para sair de uma situação ruim.

  • Enfrentar seus medos

É bem provável que, se Sarah conhecia a história do rei dos duendes, ela conheceu durante a infância. Histórias sobre duendes roubando crianças mal criadas não são incomuns, contar isso para uma criança certamente vai causar medo. Imagina você na sua adolescência enfrentando o homem do saco ou algum monstro que um dia você imaginou estar debaixo da sua cama. Enfrentar Jareth é como enfrentar um monstro da sua infância que tomou vida.

Além disso, Sarah passa por situações que podem causar medo. Ela caiu no calabouço escuro depois de passar por um buraco cheio de mãos, ela atravessou um pântano, foi atacada por uma gangue de duendes e outros tipos de monstros pelo seu caminho. Não sei quanto a vocês, mas eu sempre tive medo daquela senhora que acumula coisas, depois da cena do baile.

A questão é: Durante a jornada de Sarah, ela vai se deparando com criaturas que causam medo (lembrando que é um filme infantil e ela é uma adolescente) e ela vai passando por cada um deles, seja correndo pra longe, com ajuda de um amigo ou, como apontei no tópico anterior, pela sua esperteza.

  • Aprender com os erros

Um dos motivos da raiva de Sarah no começo do filme é Toby ter pego seu brinquedo, no final do filme, ela entrega o brinquedo pra ele dizendo “É seu agora”. Sarah grita para todos os cantos que nada daquilo é justo, até ela aceitar e aprender que precisa trabalhar em cima disso. Depois que aprende que no labirinto “Nada é o que parece”, ela usa essa frase pra tomar várias decisões certas durante sua trajetória.

Sarah vai aprendendo com seus erros no labirinto até chegar ao confronto final, ela chega até ao ponto de aprender que não precisa ficar com medo de Jareth, como ela tinha ficado no começo do filme. Acompanhamos o crescimento de Sarah nessas treze horas, ela amadurece, devolve as joias que roubou de Hoggle e aprendeu a jogar o jogo do labirinto. Ela vai parando de só reclamar e começando a resolver seus problemas mais rápido.

A ideia original de Jim Henson era mostrar Sarah amadurecendo durante a puberdade: Indo da menina que só reclama até a que consegue se impor na vida, mesmo diante de um homem mais velho, que é o próximo tópico.

  • Você não tem poder sobre mim

No começo do filme, Sarah está lendo um livro de fantasia. Ela está praticando as palavras do final, mas nunca consegue decorar a última frase. Durante o colégio, ouvi várias vezes que se entendêssemos alguma coisa, não precisávamos decorá-la. Talvez Sarah não entendesse o real significado de “Você não tem poder sobre mim”, talvez ela não conseguisse perceber o quão forte essa frase realmente é. Ela não entende, portanto fica mais difícil de decorar.

É com essa frase que Sarah derrota Jareth. No labirinto, palavras são mais poderosas que qualquer batalha, uma frase assim poderia destruir até um rei, mas vamos olhar a cena de outra forma.

Sarah é uma adolescente e Jareth é um adulto, mesmo que todos os fãs tenham aceitado que Jareth é uma criatura que envelhece diferente de humanos (o termo fae, que se refere a um tipo de fada, é usado bastante entre os fãs), ele é mais velho que Sarah. David Bowie tinha 39 anos quando fez o filme enquanto Jennifer Connelly estava por volta dos 15.

Essa cena também pode ser lida como: Uma adolescente dizendo para um homem adulto que ele não tem poder sobre ela. Vivemos em uma sociedade machista em que a mulher está sempre sendo colocada abaixo dos homens, muitas mulheres ainda crescem achando que precisam agradar e servir o futuro marido. A adolescência de uma garota é um momento muito frágil, ela é jogada num mundo que ela ainda não entende como funciona (tipo, digamos, um labirinto) e nossa sociedade não a protege. Essas adolescentes são infantilizadas e ridicularizadas (não é a toa que toda a mídia voltada para meninas adolescentes é motivo de piada e “para de ser uma garota” é considerado xingamento).

Adolescentes buscam aceitação, meninas buscam aceitação de homens, porque é legal quando um homem mais velho gosta delas: “Você não é como as outras”. Um homem mais velho vai tentar enganar uma menina mais nova com uma conversa, vai falar que vai fazer tudo pra ela… De repente você sente que já viu esse filme, não?

Sarah não é mais fraca que Jareth, ela mesma diz: “Minha vontade é tão forte quanto a sua e meu reino é tão grande quanto o seu”. Ela coloca os dois como iguais e termina “Você não tem poderes sobre mim”. Porque ele não tem, Sarah se empodera e não deixa que o homem mais velho a controle.

Por isso Sarah é uma personagem que as meninas precisavam ver mais. Sarah diz para todas as meninas: Não abaixe a cabeça porque um homem tenta intimidá-las, não aceite as mentiras dele, mostre quem realmente manda. Obviamente sabemos que não é fácil, nós não somos ensinadas a fazer isso, mas representatividade e exemplo em mídia é uma das formas de desconstruir ideias, como por exemplo, a ideia que nós, mulheres, temos que ser submissas e abaixar a cabeça.

  • Não precisa abandonar a infância pra ser adulto.

O motivo pelo qual amo o final do filme.

Sarah é uma sonhadora, parte do tempo ela está vivendo em seu mundo de fantasia. Quando você é criança, tudo bem, não há responsabilidades, você não tem que o que se preocupar. Então você vira adolescente e descobre que a vida não é assim, as responsabilidades existem.

No começo do filme, Sarah não quer aceitar isso, ela não quer tomar conta do irmão, briga com os pais, etc. No final ela está tranquila, o mundo não vai acabar se ela ficar um dia ou outro com o irmão. Ela começa a guardar algumas coisas que faziam parte da sua fantasia de infância, até que ela vê seus amigos do labirinto no espelho.

“De vez em quando, eu não sei bem o porquê, eu preciso de vocês. Todos vocês” seguido de uma super festa com as criaturas do labirinto no quarto dela. Sarah cresceu e aceitou suas responsabilidades, mas não é por isso que ela precise esquecer dos amigos que fez nessa aventura.

Ninguém precisa deixar de ver desenho animado e parar de ler histórias de fantasia pra ser adulto, você pode trabalhar o dia inteiro, chegar em casa e assistir o filme novo do Dragon Ball ou jogar Pokémon (experiência própria da autora). Você não precisa trocar um pelo outro, você só precisa se reorganizar para fazer os dois. Já ouviu falar de “O adulto criativo é a criança que sobreviveu”?. Nós somos ensinados a matar a nossa infância e os sonhos que tínhamos porque “Isso é impossível” entre tantos outros desencorajamentos. Claro, se seu sonho era ser uma princesa, a menos que você case com alguém da família real da Inglaterra, não vai acontecer, mas também nada te impede de virar uma atriz e viver todas essas coisas que você ama.

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8 comentários sobre “10 motivos para toda garota assistir Labirinto

  1. Pingback: Os Personagens de David Bowie | Ideias em Roxo

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  4. Assisti a esse filme umas 5 vezes, meus pais querem fazer minha festa de 15 anos com o tema do baile do filme, com direito a máscaras, vestidos e até um pôster de Bowie com Jennifer na mesa principal….amoooooo.

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  5. Pingback: As mulheres da ficção que marcaram minha infância | Ideias em Roxo

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