The Last Flight – Análise e Teorias

O quinto livro da franquia Dragon Age, The Last Flight (O Último Voo), foi lançado em setembro de 2014. Ao contrários dos quatro livros anteriores, esse não foi escrito por um dos escritores da Bioware, mas por Liane Merciel, escritora de fantasia.

Dos cinco até agora, na minha opinião, esse é o melhor deles. Liane tem um jeito muito diferente de escrever comparado ao estilo de Patrick Weekes (The Masked Empire) e David Gaider (The Stolen Throne, The Calling, Asunder). Enquanto a escrita desses dois lembra muito um ritmo jogo em si (principalmente David Gaider), Liane tem um ritmo mais fluido, as 300 páginas passam muito rápido.

A história é dividida em duas partes. A primeira, e menor, é contada do ponto de vista de Valya, uma elfa maga que acabou de se juntar aos Grey Warden de Weisshaupt. Ela e seu amigos são mandados para estudar os arquivos sobre os Blight anteriores. A segunda parte é contada do ponto de vista de Isseya, ela também é uma elfa maga, porém viveu durante a Exalted Age, na época do quarto Blight, irmã do herói Garahel. O livro vai alternando do ponto de vista de uma pra outra e consegue manter o suspense das novas descobertas até os últimos minutos

O ponto de vista de Valya se passa durante 9:41 Dragon, exatamente o mesmo ano em que os evento de Dragon Age Inquisition estão acontecendo, porém como o livro não faz nenhuma citação aos eventos de Ferelden e Orlais, é possível entender tudo sem ter jogado o jogo.

Para os fãs dos Grey Wardens, o livro é um prato cheio, mostrando os acontecimentos do quarto Blight bem de perto, assim como vimos os do quinto Blight em Dragon Age Origins. Mas sem pânico caso você não seja fã da ordem, eu perdi meu interesse nos Grey Warden quando terminei de jogar Dragon Age Awakening e esse livro me trouxe o interesse para eles de novo.

Abaixo comentários com spoilers do livro.

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  • O Quarto Blight

Começa em 5:12 Exalted. Devo confessar que, lendo como esse quarto Blight aconteceu, o que vemos no Dragon Age Origins parece brincadeira de criança, quase consigo entender porque o rei Cailan e Loghain não acreditavam que em 9:30 Dragon (época em que se passa o primeiro jogo) o que estava acontecendo era um Blight de verdade. O quarto Blight derrubou Antiva e as Free Marches, além de muitas outras cidades, sem contar que dura 13 anos. O quinto Blight durou mais ou menos um ano e só afetou Ferelden, mesmo com muitas pessoas se refugiando nas Free Marches, Denerim, capital de Ferelden, continuou de pé.

  • Os elfos salvam o mundo novamente

Garahel era charmoso, um arqueiro forte e conseguia convencer líderes de várias nações a ajudarem sua causa, no final foi ele que matou o Archdemon que acabou com o Quarto Blight. Aliás, ponto positivo para a escritora aqui, a maioria das pessoas sabem que o elfo vai morrer para terminar o Blight e mesmo já sabendo disso, o momento em que acontece é muito emocionante.

Garahel é só um dos muitos heróis elfos que foram revelados nos últimos acontecimentos do universo de Dragon Age. Não quero entrar em spoilers pesados de Dragon Age Inquisition (guardei para o último tópico), mas no terceiro jogo vários holofotes mostram a história dos elfos. No default da Bioware, o herói de Ferelden (o seu personagem) é um elfo dalish, além de todo o mistério cercando os eluvians (artefatos élficos) e as descobertas de The Masked Empire. Isso sem contar a nossa heroína principal…

  • Isseya

Sem sombras de dúvidas, minha personagem favorita do livro. Ela literalmente sacrificou tudo da sua vida para terminar com o Blight, desde largar mão de aspectos da sua vida pessoal, até se deixar ser consumida por magia de sangue para alcançar seus objetivos. Ao longo do livro, vemos Isseya indo de uma maga que estava empolgada para dar seu primeiro voo em Revas (sua grifo) para uma maga de sangue que bota medo nos outros apenas com sua aparência. Ela vai envelhecendo, ficando cansada, deixando o veneno no sangue dela tomar conta… É muito triste, nas últimas páginas o coração fica apertado, em certo momento do livro sabemos que o caminho que ela escolheu não tem volta.

Além disso, ela nunca leva os créditos. Isseya faz o trabalho sujo, usa magia de sangue para controlar os grifos, mas mesmo que seus milagres mágicos tenham salvado mais vidas que qualquer um, é seu irmão que leva os créditos. Dá pra perceber que a própria Isseya prefere que ele fique com os holofotes, mas é doído para quem lê e ver que todo o seu esforço só vai ser descoberto eras depois com Valya.

  • Grifos

É a primeira vez no universo inteiro de Dragon Age que vemos os grifos como mais do que lendas, mas como seres que existiram e salvaram os Grey Wardens de muitos problemas. A ligação de um grifo com seu dono é muito forte, tanto que Isseya se recusa a fazer Revas passar pelo ritual que ela estava fazendo com todos os outros, pois aquilo seria traição.

A participação dos grifos não para por aí: Após terem terminado com o Quarto Blight, Isseya percebe que o veneno que forçou em alguns grifos está se espalhando para todos os outros como se fosse uma doença. Isso levanta várias perguntas sobre como magia de sangue funciona e o preço que uma pessoa paga por usá-la. Isseya procura por Thedas inteira e não consegue achar uma solução para salvar os grifos. Ela, que tanto amava essas criaturas e foi forçada por seu comandante a envenenar várias delas para vencerem, agora é a responsável pela extinção dos grifos. Em Dragon Age Origins, Wynne fala que os grifos eram criaturas majestosas, porém extintas, e sinceramente nunca foi um tópico muito questionado entre os fãs se isso era verdade ou não.

Até que a bomba do final do quinto livro cai: Os grifos não estão extintos.

Depois do Blight, Isseya fala com Amadis, a amante de Garahel, sobre o que está acontecendo com os grifos. A elfa sabe que o irmão deu um grifo para Amadis e que os grifos deles botaram alguns ovos juntos, treze no total. Isseya pede os ovos e esconde em um lugar distante, além de também esconder seu diário, que apenas um outro elfo poderia encontrar (talvez por isso tanto tempo para encontrarem o diário dela). Isseya não confiava no julgamento de seus superiores e sabia que esses ovos só podiam nascer depois que todos os outros grifos estivessem mortos, pois aí não pegariam a doença. No final do livro, Valya encontra os ovos e eles começam a rachar.

  • Teorias (spoilers de Dragon Age Inquisition)

Normalmente, todo o conteúdo do universo expandido de Dragon Age fala sobre algum assunto que aparece nos jogos. A animação Dawn of the Seeker conta a história de Cassandra, que apareceria futuramente no Dragon Age 2 e Dragon Age Inquisition. Os livros The Stolen Throne e The Calling explicam certas coisas que aconteceram antes do Dragon Age Origins, além de te dar outras perspectivas de certos eventos personagens (Loghain, Alistair, Maric, Fiona, a rivalidade entre Ferelden e Orlais, etc). Asunder fala sobre as consequências do final de Dragon Age 2, além de apresentar Cole, que é um personagem importante em Dragon Age Inquisition. The Masked Empire apresenta vários personagens que vão aparecer também em Dragon Age Inquisition, além de mostrar pela primeira vez como funciona o jogo de Orlais (o que é útil considerando que uma das missões principais do terceiro jogo é fazer política em Orlais). O quarto livro também continua a participação dos eluvians no universo de Dragon Age, que apareceu em todos os jogos até agora. Os três quadrinhos do Dragon Age não parecem fazer uma ligação tão direta, mesmo com três personagens grandes dos jogos, porém acho que ainda vamos ver mais sobre o “sangue do dragão”.

Antes mesmo de terminar o livro, eu já suspeitava que alguma coisa ia acontecer em The Last Flight que faria referência a algum assunto que a Bioware abordaria futuramente. O livro saiu um pouco antes de Dragon Age Inquisition, dificilmente seria uma sequência mais direta, mas também não seria de eventos anteriores, pois tanto Dragon Age Inquisition quanto The Last Flight acontecem no mesmo ano (e a Bioware sempre evita fazer coisas extremamente conectadas aos jogos porque é um rpg).

Quando terminei Dragon Age Inquisition, por termos visto Grey Wardens em alguns momentos, tinha certeza que uma das DLC seria sobre a ordem. Ao terminar The Last Flight tive mais certeza ainda. Valya encontra os grifos no ano seguinte, 9:42 Dragon. Em Dragon Age Inquisition, o sobrevivente do Fade (Hawke, Loghain, Alistair ou Stroud) vai para Weisshaupts. Durante o livro, nenhum desses quatro nomes são mencionados, mas pelo tempo, é perfeitamente possível que um deles tenha chegado na fortaleza dos Grey Warden enquanto Valya estava fazendo sua investigação. Valya aprendeu a não chamar a atenção, então não necessariamente o sobrevivente do Fade teria trombado com ela.

Eu sei que a Bioware quer evitar ao máximo trazer nossos personagens antigos (Warden e Hawke) de volta, porém a volta dos grifos é um assunto muito grande para ser ignorado (e eles já colocaram assuntos grandes em DLC: Witch Hunt e Legacy). O sobrevivente do Fade descobre sobre os grifos em Weisshaupts e manda uma mensagem para Skyhold (não sei exatamente o motivo pelo qual a pessoa ia falar com a inquisição, mas aposto que eles pensam em alguma coisa).

Uma DLC dessas poderia acrescentar mais coisas além dos grifos. O seu Warden está procurando uma cura para o veneno dos darkspawn que a ordem carrega, os grifos acabaram de sobreviver a uma doença semelhante. Também é possível que Isseya tenha anotado mais coisas além dos acontecimentos do Blight em seu diário, alguns conhecimentos novos de magia de sangue. Tudo bem, os escritores já falaram inúmeras vezes que não querem trazer o herói de Ferelden de volta, mas não vejo uma oportunidade melhor para que o personagem possa aparecer. Além disso, uma DLC assim daria um ponto final para o Warden que deixaria os fãs felizes e os livrariam de pensar nisso de novo.

No final das contas, mesmo que a presença do Warden seja um sonho distante, esse final e essa revelação de The Last Flight não apareceu agora do nada, muito menos considerando que um personagem conhecido foi parar no mesmo lugar que isso aconteceu. Aposto que esse assunto volta, muito provavelmente como DLC, expansão ou em um próximo jogo. Numa situação dessas, Valya teria tudo para aparecer e não seria a primeira vez que um personagem dos livros volta com um papel importante.

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