2° Episódio: The House of Black and White – Análise de Game of Thrones

Episódio do dia 19/04: The House of Black and White

Em geral: Apesar de preparar vários personagens para suas plots, episódio lento e que chegou a ser cansativo em certos momentos. Já é uma fórmula de Game of Thrones ter alguns episódios mais lentos para “preparar terreno”, o que é necessário para o ritmo da série, mas isso pode cair no morno, pegando mais ritmo para o final do episódio.

Abaixo análise com spoilers

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  • Encontro entre Brienne e Sansa

Achei um pouco… Repentino? Quais as chances de Sansa e Mindinho terem parado na mesma taverna que Brienne e Podrick? Mas tudo bem, ignorando o estranhamento, Mindinho mostra mais uma vez que não precisa lutar para derrotar alguém, assim como Brienne mostra em seguida que não desiste fácil. Considero uma mudança boa e que vai servir para deixar o caminho dos personagens – principalmente o de Brienne – mais dinâmico para a série.

É sempre interessante ver a relação de aluna professor que está acontecendo entre Mindinho e Sansa, mas para mim está beirando ao “creepy”. Tá certo, esse é Mindinho, mas me causa desconforto assistir essas cenas. Não consigo decidir se as falas, quase cutucadas, que Sansa solta (“Cerveja faz com que os homens ganhem coragem?”) estão ali para aumentar esse clima ou para mostrar Sansa aprendendo outros truques do jogo. Enfim, assim como Brienne, eu também acho que Sansa não está nada segura com Petyr.

  • Jaime vai para… Dorne?

Eu lembrava que Jaime não ficava em Porto Real por muito tempo, porém ele não ia para Dorne. Por outro lado entendo de onde essa mudança tenha vindo. Muitos personagens do núcleo de Dorne foram cortados (ainda estou me lamentando por Arianne Martell). Acontecem muitos conflitos por lá depois da morte de Oberyn, então talvez Jaime sirva para ser o fator que acabou sendo cortado na redução de personagens.

Também pode ser interessante ver essa jornada de Jaime, do ponto de vista que, como Cersei apontou, Jaime nunca foi um pai (independente do motivo). Claro que para o público ele vai como guarda real, mas essa não é toda a verdade.

  • Falando em Dorne

Pontinho positivo por Dorne ter aparecido, apesar de ter aparecido pouco. Gosto de como a ambientação, cores e luzes funcionam diferente em cada região de Westeros (e Essos) e Dorne seguiu uma linha que combina. É uma cena rápida, mas dá pra perceber que Myrcella sabe que está em perigo. A apresentação de Doran também é bem consistente com o personagem e com o desenvolvimento dele que veremos mais pra frente.

Ao mesmo tempo que personagens como Myrcella e Doran tiveram detalhes consistentes e bons, Ellaria me decepcionou. Myrcella nos livros, pelo menos que eu me lembre, não aponta entender o real perigo em que está. Na série é uma cena, mas conseguimos entender que a menina não é tola. Tudo bem, é uma mudança que deu mais dinâmica, fez a personagem mais interessante. No caso de Ellaria, ela parece muito fora do que ela é.

Dorne não é como o resto de Westeros. Sim, as Serpentes de Areia estão furiosas com a morte de Oberyn e querem vingança, mas Ellaria nunca considerou machucar Myrcella e não lembro de nenhuma outra pessoa sugerir isso. Arianne, filha de Doran, se revolta com o pai porque ele não quer fazer nada, não quer mandar forças para Porto Real, mas nunca considera machucar a filha de Cersei. Oberyn diz que as pessoas de Dorne não matam crianças indefesas e eu tenho certeza que Ellaria concordava com ele. Um dos motivos que a relação entre Oberyn e Ellaria era tão boa era porque eles tinham uma sincronia, então acho muito difícil que um não gostasse de matar inocentes enquanto a outra achasse que era algo aceitável.

E não vamos esquecer que a raiva de Oberyn, e de muitos outros em Dorne, com os Lannisters é exatamente porque eles mataram crianças indefesas de sangue Martell. Então como que Ellaria, de repente, fala que eles devem torturar Myrcella? A princípio acreditei que o comportamento veio da raiva e luto por Oberyn, mas há tantos pontos contra ela fazer isso, tanto na série quanto no livro… Parece um pouco que a única forma dos produtores mostrarem uma personagem mulher forte é “Vou quebrar todo mundo”.

  • Varys e seus discursos

Ele tá cheio de discursos bons nessa temporada. Primeiro episódio e sobre como as pessoas estão acostumadas à coisas ruins, agora sobre como certas pessoas – como ele e Tyrion – nunca ficam felizes “dentro da caixa”, por mais que muitas vezes essas pessoas usem essas caixas para se protegerem. Ninguém gosta de se esconder para sempre, por um tempo é bom porque te dá segurança, mas ficar muito tempo na caixa pode começar a ser insuportável.

Outra questão: Produtores queridos, eu sei que o Tyrion tá irritado com a Cersei e com motivo, mas que tal pararmos um pouquinho com as ofensas machistas? Obrigada.

  • Cersei e a questão do controle

Na crítica do primeiro episódio eu comentei que a questão do “controle” ia ser muito abordada pela temporada. Não que já não fosse um tema recorrente, mas agora está aparecendo mais na “falta de controle”. Eu ainda não diria que Cersei está completamente perdida porque ela é o tipo de personagem com várias cartas na manga (e bem mais experiente que outras personagens, como Daenerys), mas acredito que esse seja o começo de uma ladeira. Ela quer proteger seu filho. Joffrey fazia o que queria e ninguém conseguia segurá-lo, acabando morto na quarta temporada. Cersei não quer ver isso acontecer de novo, mas algumas pessoas do conselho não estão aceitando muito bem essa ausência do rei.

  • Stannis, Jon e a Muralha

Stannis é aquele tipo preto no branco, não há conversa, as coisas são ou não são. Na verdade, ele sobrevive quase que puramente por causa das pessoas que são leais ao seu nome e agora também os que acreditam no deus vermelho de Melisandre. Ele fala para Jon que se as pessoas não temem o líder, não o seguirão. Stannis, medo não ajudou Aerys a manter o trono, muito pelo contrário, exatamente pelas pessoas o temerem que eles tentaram derrubá-lo. Tenho a impressão que Stannis, assim como outros personagens, vai aprender que está errado da pior maneira.

Mas enfim, continuando, Stannis fala para Jon que o povo do norte só aceitará um Stark em Winterfell, portanto sugere que o próprio Jon pegue seu lugar, mesmo sendo bastardo. Isso é grande, não só porque ele vai ser senhor de uma das maiores partes de Westeros, mas para o personagem em si.

Jon sempre quis ser aceito, mas todos faziam questão de deixar claro que ele era um bastardo. Ele sabia que nunca conseguiria ser visto como Stark, então largou tudo e foi para a Muralha. Agora, anos depois, aparece Stannis e oferece exatamente o que Jon sempre quis. Aparentemente, um pouco tarde. Ao que tudo indica, Jon não vai abrir mão de seu posto na Patrulha, principalmente depois da reviravolta do episódio. Jon é nomeado comandante da Patrulha da Noite e algo me diz que Stannis não vai ficar feliz com isso. Além disso, não vai ser a última vez que vamos ver essa questão de “Winterfell x Patrulha” de Jon.

  • Arya chega em Bravos

Finalmente! Gostei muito de toda a ambientação de Bravos, ficou bem marcado que ela está bem longe de casa e de onde começou na primeira temporada. Mas Arya ainda está usando sua armadura: “Não tenho medo” e sua lista de nomes mostram isso, além de como ela encara os ladrões na cidade. Arya sempre foi a garota que não gostava de “coisas de menina” e a personagem meio que roda em torno desse estereótipo, então vai ser interessante ver se essa casa vai trazer alguma novidade no desenvolvimento dela.

  • Tá difícil te defender, amiga…

Ai Daenerys, você começou o episódio tão bem. Dar um julgamento justo, mostrar um exemplo sem derramar mais sangue… Além de que é sempre bom lembrar um dos grandes conflitos da personagem: Daenerys diz não acreditar que seu pai era louco, no “Os deuses jogam uma moeda sempre que um Targaryen nasce para decidir entre grandeza e loucura”. Mas Daenerys viu Viserys, ela sabe que aquilo talvez tenha um fundo de verdade. “Se olhar pra trás estou perdida”, a frase que ela tanto repete nos livros, sempre interpreto que ela diz isso para si mesma porque se ela perceber tudo o que fez ela mesma pode enlouquecer.

Daenerys ouviu a história do “rei louco” dessa vez e ela teme se tornar isso. Por mais que diga “Eu não sou meu pai”, acho que a frase é mais para se convencer do que convencer aos outros. Acredito também que isso tenha sido o gancho pro final que né, amiga, não dá.

Um dos ex escravos mata o homem preso dizendo que fez por Daenerys e ela o mata em praça pública. Não entendo qual era a necessidade. Assim, até entendo, ela precisava mostrar seu poder e em parte acredito que ela tentou seguir o caminho de seu pai para ver se funcionava (Barristan diz que Aerys matava os que discordavam com ele). Bom, não funcionou, mas acho que a escolha da série foi colocar isso como gancho para ela futuramente abrir as arenas de luta que pediram no primeiro episódio.

Mas eu me pergunto se esse é um caso como o de Ellaria. Não acho que Daenerys faria isso, ela é misericordiosa, ela erra bastante em relação a conter seus inimigos, mas sempre faz o que acredita ser melhor para a questão dos ex escravos (não que sempre seja o melhor). A única opção que faz sentido para mim é realmente isso ter acontecido para que em algum episódio eles falem para ela “Olha, a moral está em baixa, só as arenas de luta vão ajudar” e aí ela cede, porque a coisa tá bem feia. Ainda assim, achei quase fora de personagem da parte dela, não tanto quanto o caso de Ellaria, mas…

Por último: Olá Drogon! Finalmente voltou!

O que espero para o próximo episódio: Particularmente, quero muito ver os rumos de Sansa e Arya na série. Consigo imaginar os outros personagens mais ou menos por causa dos livros, mas o caminho de Sansa mudou bastante e estou curiosa, além de querer ver a atuação de Maisie nas próximas cenas de Arya. Dorne também, ainda mais que agora Jaime vai estar naquele núcleo. Também queria mais ritmo nos episódios, claro que alguns episódios precisam de calmaria, mas talvez mais gancho entre as partes ajudasse os episódios mais lentos.

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