4° Episódio: Sons of the Harpy – Análise de Game of Thrones

Episódio do dia 03/05: Sons of the Harpy

Em geral: É só elogiar um pouco que… Esse episódio mantém um ritmo parecido com o anterior, talvez um pouco mais lento e vai colocando conflitos em várias partes de Westeros. Porém, parece que os conflitos estão perdendo qualidade, se preocupando mais com cenas que choquem a partir do sexo e da violência, o que, apesar de ser a fama da série, nem sempre foi o que resumiu Game of Thrones.

Abaixo análise com spoilers

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  • Jaime e sua culpa

Voltamos com Jaime se martelando sobre a culpa de nunca realmente ter sido um pai. Ele insiste que ele precisa salvar Myrcella, porque é o dever dele. Aliás, interessante como Bronn faz uma cara de espanto quando Jaime se diz “tio”, como se todos já soubessem que ele na verdade é o pai dos três filhos de Cersei.

Jaime também diz o quanto gostaria de matar Tyrion se o visse. Algumas pessoas interpretaram como se ele falasse sério, mas eu acho que ele estava fingindo. Jaime viveu em Porto Real por tempo suficiente pra saber que as paredes têm ouvidos, ele sabe que não pode falar a verdade sobre Tyrion, então finge que se sente como Cersei, que odeia o irmão e vai matá-lo, mas pra mim é encenação.

  • Porto Real e a Fé Militante

Preciso respirar fundo para falar dessa parte.

Muito bem, Cersei está tentando abalar Margaery e mostrar que ela não tem tanto poder quanto ela pensa. Cersei é esperta e começa uma aliança com o Alto Pardal. A fé é algo muito importante em Westeros (Em que mundo não é?) e Cersei acredita que tê-los ao seu lado pode ser uma peça chave para ter o domínio que ela deseja.

Até aí tá tudo bem, toda essa trama é interessante para ver o embate das duas rainhas, inclusive porque até agora era Margaery que parecia estar no controle, mas Cersei vira o jogo. O que me incomodou e é uma das coisas que me atrapalha em dar uma avaliação positiva para o episódio é o que acontece com Loras.

E sim, isso vai entrar de novo na questão das “mudanças” do livro. Acredite se quiser, mas eu realmente não gosto que a minha argumentação vá para esse lado, já falei que não acredito que a adaptação precise seguir fielmente os passos do livro. O meu problema é que eu li o livro e aí eu vejo certas coisas na série que parecem gratuitas.

Loras no livro: Há apenas dicas de que ele é gay, mas é um fato. Talvez por não existir nenhum POV perto dele ou de Renly quando eles eram um casal, um POV de Margaery poderia ajudar também, mas até agora ela não teve. De qualquer forma, o que entendemos é: Loras sofre pela morte de Renly, há várias falas que mostram que ele ainda sofre com isso e até onde sabemos no livro, ele não se envolve com mais ninguém depois. Além disso, Loras é sempre caracterizado como bonito, fiel aos Tyrell, um excelente guerreiro (Um dos melhores de Westeros) e arrogante (Em resumo). Jaime, em um de seus POVs, pensa em como Loras é parecido com ele mais novo.

Loras na série: Muitas de suas cenas fazem algum tipo de insinuação com a sexualidade dele, mesmo que no livro não aconteça. Sinceramente, eu prefiro que a série tenha deixado explícito, mas não para anular qualquer outro tipo de desenvolvimento do personagem que não seja relacionado com sua sexualidade. Todos os outros aspectos da personalidade de Loras vão caindo por terra para dar espaço ao estereótipo.

Nesse último episódio eles completam. O gay “promíscuo” é punido pelos seus atos (como se já não tivéssemos milhões de histórias assim). A Fé Militante consegue prender Loras por “ser gay”. Vários homens, sem treinamento de luta, conseguem prender um dos melhores guerreiros de Westeros. Como?

E voltamos pra questão do livro x série. O que me incomoda aqui é que eles mudaram a técnica que a Cersei usa para atingir Margarey, o que até aí tudo bem, mas a alternativa deles é colocar homofobia gratuita, como se já não tivéssemos muito disso por aí. Além de ser pouco provável que um dos melhores guerreiros de Westeros fosse capturado tão facilmente.

Parece que eles queriam mostrar “Olha como punir gays é errado”, mas que no contexto pareceu muito mais “Ninguém mandou ele não ser discreto como a Margaery falou”.

Outro grande problema dessa cena: As pessoas que são agredidas e humilhadas são mulheres e homens gays. Uhm, que coisa não.

  • Jon e Melisandre… Sério?

É até difícil falar do crescimento de Jon como personagem por causa do absurdo que fizeram aqui, mas vamos lá. Jon segue em seu posto, mas outros personagens ao seu redor testam sua neutralidade, que a Patrulha da Noite deveria ter. Primeiro Sam, que lembra Jon que apesar dele não gosta nada dos Bolton (casamento vermelho, lembram?), ele não é um Stark, ele é um homem da patrulha da noite. Jon não gosta, mas vê razão e concorda.

Logo em seguida quem “tenta” é Melisandre, em uma das cenas que vai entrar para a lista de “Cenas completamente desnecessárias”. Melisandre quer convencer Jon de que ele tem poder e que está gastando seu tempo ali. Tudo bem, não esperaria menos da relação deles (vou falar mais disso no final da postagem). Mas aí ela tira a blusa e fala pra ele sentir como seu coração está batendo (ou como está quente, sei lá, não deu mais pra levar a cena a sério depois disso), seguindo de uma tentativa de seduzi-lo.

A Melisandre é (acho que já falei isso em uma das críticas dos outros episódios) uma das personagens mais sexualizadas da série sem a menor necessidade. Tinha um milhão de jeitos dela deixar Jon confuso. Melisandre assusta os outros personagens pelo que ela consegue ver deles (como a cena em que ela encontra Arya). Eu me pergunto se D&D são capazes de escrever uma mulher que eles considerem forte sem cair em algum estereótipo.

  • Stannis e Shireen

Depois de várias cenas que me fizeram virar os olhos, finalmente uma cena boa! Eu gosto da profundidade que a série vem colocando em Stannis, além daquela máscara dura e justa que ele gosta de usar. Shireen é uma criança menosprezada por muitos, inclusive pela própria mãe. Não surpreenderia nada se Stannis também achasse que ela era só uma criança fraca.

Mas a cena foi muito mais do que “Ela tem o sangue Baratheon” que Melisandre fala. Foi muito mais sobre ela ser a filha de Stannis, a filha que ele ama e ele vai proteger, não importa o que os outros falem. Toda essa construção ao redor de Shireen me faz pensar se a personagem dela vai começar a ter mais importância no futuro.

  • ProtectSansa2k15

A felicidade não dura muito, então voltamos para o núcleo que está com maior potencial de estragar a série de vez. Começa bem, Sansa e Petyr tem uma conversa bem interessante sobre Lyanna Stark (vou falar mais disso depois). Petyr vai voltar para Porto Real, o que confirma a suspeita de muitos sobre Sansa ficar sozinha com Ramsay.

Mindinho fala que ele confia em Sansa e deixa claro que ele está apostando. Ele acredita que Stannis vai tomar o norte dos Bolton e fará Sansa a senhora do norte. O único problema é que Petyr mal sabe que Stannis está de olho em Jon, mas isso é outra história. Isso me tira um pouco o desconforto com o fato de Mindinho parecer fora de personagem, jogando Sansa no perigo. Ele acredita que ela pode muito bem domar Ramsay como domou Joffrey. O único problema é que ela sofreu um monte e eu gostaria muito de não ver ela passando por isso de novo.

Vou aproveitar o momento pra expressar meu eterno nojo com Petyr beijando Sansa. Quantos anos ela deveria ter agora? A maioria dos lugares que eu procurei colocam ela com 13 nos livros e 17 na série (mesmo que ela seja mais velha, não passa dos 20). Preciso explicar a pedofilia desnecessária aqui? Mesmo que ela seja oficialmente de maior agora, Petyr a conheceu quando era uma criança e isso aí não tá nada legal.

  • Serpentes de Areia

Sentimentos mistos aqui, mas finalmente vimos as serpentes!

Por um lado fico feliz. As três personagens são fortes, fiéis umas as outras, inteligentes o suficiente pra descobrir sobre Jaime quando ele mal chegou em Dorne… Gostei disso, de verdade, é bom que mostrem que as mulheres em Dorne são guerreiras e o contraste com as mulheres das outras partes de Westeros.

Por outro lado fico chateada. Primeiro porque não confio na série para desenvolver as personagens. Segundo, e mais importante, é como a história delas anda para um caminho que não me agrada. Já expressei meu problema com terem cortado Arianne, mas o grande problema aqui é o Ellaria. O arco da Ellaria é ser contra as serpentes quando elas querem se vingar de Cersei através de Myrcella. Eu sei que precisa haver um conflito agora que coloque Myrcella em risco, mas poderia ter sido assim:

As serpentes querem se vingar pelo que aconteceu com Oberyn, o que não escapa da personagem de nenhuma delas. Já que cortaram Arianne, Ellaria poderia cumprir o papel da pessoa que tenta proteger Myrcella (entre outras funções). A raiva que elas tem de Doran por tentar ficar no “caminho da paz” continua, só porque Arianne não quer machucar uma criança, não significa que ela não quer brigar com os Lannister, como mostra no livro. Ellaria poderia ter cumprido esse papel sem sair da personagem, ao invés do que está acontecendo agora. Pra mim o ideal mesmo era Arianne estar na série, mas havia formas cobrir esse buraco sem fazer Ellaria sair do que ela era.

  • Tyrion e Jorah

Não há muito o que dizer aqui. Jorah acabou indo para o lado que eu tinha pensado sobre “Qual rainha” (eu juro que não lembrava isso dos livros) e vai usar Tyrion como um pedido de desculpas. Tyrion faz o que sabe fazer de melhor, provoca, usa a cabeça para entender a situação e deixa alguém bravo. Apenas uma cena curta para não desaparecer com o personagem e deixar claro de qual rainha Jorah estava falando.

  • Enquanto isso em Essos…

Daenerys continua na mesma, não vai ceder e agora vai finalmente sentir o quanto seus erros podem atingi-la. A mãe dos dragões não é a principal de seu próprio núcleo dessa vez, agora o foco fica em Barristan e voltamos para a base de Game of Thrones: Todos morrem e ninguém está seguro.

Barristan se despede da série antes do esperado. Não foi escolha do ator, mas sim dos próprios produtores. Quem leu o livro ficou um pouco confuso, já que Barristan teria uma participação importante mais para a frente. Apesar de ficar triste, não é uma coisa que de todo me incomode como outras questões já citadas sobre a série. A morte de Barristan certamente vai ser a gota d’água para que Daenerys abra a arena e comece a ceder um pouco. De qualquer forma, se conseguirem amarrar a parte de Barristan sem ele, não vejo maiores problemas. Como pessoa que gostava do personagem, fiquei bem triste e a morte me pegou de surpresa. Verme Cinzento provavelmente sobreviveu, mas vai ficar fora de ação por um tempo.

Enquanto assistia, pensava “O episódio foi bem parado” minutos antes desse final. É bom saber que, apesar de tudo, a série ainda consegue me surpreender.

  • R + L = J

Uma das teorias mais famosas dos fãs. Esse episódio teve pelo menos quatro referências que me fazem acreditar que esse seja um dos spoilers dos livros.

O nome da teoria significa Rhaegar + Lyanna = Jon. Ou seja, Rhaegar Targaryen, o filho mais velho do rei louco, e Lyanna Stark, a irmã de Ned, de alguma forma ficaram juntos e tiveram Jon Snow, o que significaria que Ned mentiu pra todo mundo esse tempo todo que Jon era seu filho.

O que sabemos: Lyanna era noiva de Robert Baratheon. A gota d’água para a guerra foi quando Rhaegar, que era noivo de Elia Martell, sequestrou Lyanna. Eles vão para Dorne e depois de um tempo Rhaegar vai para a guerra em outra região de Westeros. Quando a guerra acaba, Ned vai buscar Lyanna, mas ele a encontra em uma cama cheia de sangue. Não sabemos o que ela diz para ele antes de morrer, mas a tal frase “Prometa-me, Ned” assombra ele por anos. Quando Ned volta para o norte, ele está com Jon, dizendo ser seu bastardo e pede que Catelyn nunca pergunte sobre ele.

A teoria diz que na verdade Lyanna não foi sequestrada, mas fugiu com Rhaegar porque os dois se amavam e queriam ficar juntos. Não diria que foi algo muito esperto de se fazer, mas de qualquer forma, pela teoria, Lyanna fica grávida de Rhaegar, mas ele vai pra guerra e morre. Quando Ned finalmente encontra Lyanna, o sangue na cama era por causa do parto de Jon e ela pede que Ned nunca conte pra ninguém que esse filho é Targaryen. Os filhos de Rhaegar com Elia foram executados só por carregar sangue Targaryen e Lyanna sabia que o mesmo poderia acontecer com Jon. Ela morre e Ned decide nunca contar para ninguém a verdade sobre o bebê, assim ele ficaria seguro da fúria das outra famílias.

Quais são os momentos da série que apontam pra essa teoria?:

  1. Stannis e Selyse observam Jon. Selyse fala que Jon é apenas o filho de uma “prostituta de taverna”. Stannis responde com “Talvez, mas Ned não era assim”. Stannis, junto com Ned, são dois personagens que sempre tentam fazer o que é justo. Stannis é mais duro que Ned, mas mesmo assim, a questão da honra aparece forte nos dois. A traição de Ned seria motivo para desaprovação de Stannis, mas quando mencionam o fato, ele discorda.
  2. Melisandre sempre exalta a importância do sangue real. Ela fala disso inclusive nesse mesmo episódio, sobre Shireen. Seria por isso que ela fica tão interessada em Jon? Melisandre sempre parece saber mais do que ela deveria, talvez ela sinta em Jon o sangue Targaryen, que seria o mais importante dos sangues reais, e queira se aproveitar disso.
  3. Quando Petyr e Sansa estão conversando, ele conta a história de como Rhaegar homenageou Lyanna depois de ganhar um torneio, ignorando a própria esposa e o fato de Lyanna estar noiva de Robert. Quando Sansa responde que mesmo assim ele a sequestrou, Petyr faz uma de suas caras “creepies”, como se ele soubesse de mais, mas mudam o assunto.
  4. Barristan conta para Daenerys um pouco de Rhaegar, como ele era uma pessoa boa, que odiava matar e amava cantar, dando o dinheiro que conseguia para os pobres ou usando para ficar bêbado. Obviamente nada disso impede que um homem sequestre e estupre alguém, mas parece que há um esforço da série para mostrar um outro lado do “vilão” Rhaegar que Sansa conhece.

Mesmo sem saber da teoria, foram duas menções de Rhaegar no mesmo episódio, duas versões bem diferentes da mesma pessoa. Pelo que já conheço de séries e filmes, me parece que eles estão preparando terreno para tratar mais sobre Rhaegar. Agora, conhecendo a teoria de Rhaegar e Lyanna serem pais de Jon, foram quatro pistas fortes no mesmo episódio, ninguém coloca isso por acaso.

O que espero para os próximos: A teoria de Jon me deixou empolgada, então espero que voltem nesse assunto. Também gostaria de ver mais de Dorne e como eles vão tratar as serpentes, apesar de não ter muita esperança. Tyrion, Cersei, Daenerys e Arya também são apostas fortes para a próxima semana, e já que Margaery foi pedir socorro para a Rainha dos Espinhos, espero que possamos ver Olenna em breve.

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2 comentários sobre “4° Episódio: Sons of the Harpy – Análise de Game of Thrones

  1. Pingback: 5° Episódio: Kill the Boy – Análise de Game of Thrones |

  2. Pingback: Uma outra versão de Rhaegar e Lyanna | Teorias de Game of Thrones | Ideias em Roxo

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