Demolidor | A Série

Dessa vez foi o Demolidor que se juntou às séries feitas pela Netflix. Lançada neste ano, a série já conseguiu vários fãs e deu o que falar. De fato, é uma série incrível. A primeira temporada tem 13 episódios e a segunda já foi confirmada.

A série Demolidor (Daredevil em inglês) conta a história de um advogado chamado Matt Murdock. Ele é cego e trabalha com seu parceiro Nelson Foggy no novo escritório de advocacia que eles abriram em Hell’s Kitchen. O bairro é conhecido pela violência e logo todos começam a ouvir os boatos sobre um justiceiro mascarado. Matt é o tal justiceiro, porém seus amigos não sabem e ele tenta lidar com essa vida dupla.

Antes dos spoilers, uma lista geral de pontos positivos e negativos. Agradecimento especial para Letícia Piroutek que me ajudou aqui.

Pontos positivos

  • Personagens bem desenvolvidos
  • Fotografia
  • Cenas de luta bem coreografadas
  • O lado do vilão
  • Opção de audiodescrição
  • Os episódios podem ser lidos como um filme de 13h
  • Enredo bem feito
  • Estrangeiros não falam só inglês

Pontos negativos

  • Falta representatividade
  • A maioria dos vilões são estrangeiros
  • Violência (não é necessariamente ruim, mas vale o aviso para quem não gosta)

Demolidor é mais uma prova da qualidade da Netflix, pra quem gosta de história sobre heróis, essa é uma excelente dica.

Agora o resto da análise com spoilers

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  • Personagens bem desenvolvidos

Por onde começar? A série me impressionou desde o começo com o jeito que os personagens foram escritos. Matt, por exemplo, é um personagem incrível. Ele ganha densidade ao longo da série, principalmente por ser um dos únicos que com flashback. No começo ele parece um homem de bem com a vida, que não sofre em ser cego e seguro do que está fazendo, mas ao longo da série nós o vemos se machucar fisicamente e emocionalmente. Matt não é o tipo de herói invencível, ele não está sempre certo de suas decisões. Muitas cenas vemos como ele duvida das coisas, vemos suas fraquezas e conseguimos sentir o que existe além da máscara de justiceiro.

Matt é só um exemplo, todos os personagens principais mostram mais de um lado. Foggy não é só o amigo engraçado, ele se importa com Matt, chora com ele quando descobre que seu amigo na verdade é o Demolidor, segue na sua profissão porque realmente acredita que pode fazer alguma coisa de bom. Claire, mesmo aparecendo pouco, é a personagem que sempre ajuda, uma voz da razão que Matt realmente escuta. Ben parece um jornalista cansado, mas quando vê algo que lembra o porquê ele decidiu escrever as histórias que escreve, ele desafia tudo, mesmo que custe sua própria vida. Até os vilões possuem arcos de desenvolvimento tão bem feitos que a audiência simpatiza com eles.

Além de Matt, os dois outros destaques para mim são Vanessa e Karen. Vanessa também aparece pouco, mas rouba a cena (vou entrar em mais detalhes em breve). Porém, pra mim, a melhor personagem é Karen. No começo da série nós vemos uma mulher num momento frágil, que foi incriminada e está em apuros. Karen luta, se mantém firme e volta a seguir sua vida. Ela não para por aí, Karen convence Ben em começar a trabalhar em uma nova história que pode derrubar a Union Allied, mesmo sabendo o risco que está correndo. Karen pode até começar num ponto frágil, mas sua personagem cresce muito, ela corre atrás do que quer e vai se defender se precisar.

  • O visual da série

A fotografia é incrível, combinada com a arte, elas criam o ambiente preciso para cada cena e com cada personagem que está presente. Hell’s Kitchen é acinzentada, só ganhando mais cor com certos personagens. De noite, que é quando as piores coisas acontecem, são poucas as cores e o clima fica todo mais sombrio.

Além disso, as cenas de luta são incríveis. Matt não é invencível sempre, mesmo que tenha ganhado dons depois de perder a visão, as coreografias são tão bem feitas que, por mais improváveis que sejam às vezes, são bonitas e empolgantes de assistir.

  • O lado do vilão

Uma das melhores coisas da série foi poder entender Fisk. No começo, achamos que ele vai ser uma figura que só aparecerá no final, o grande boss do final da fase, mas em poucos episódios ele dá as caras. Fisk não é tão intimidador quanto quer ser, o que pode até tirar um pouco do ar de ameaça, mas como personagem ele ganha pontos. Conhecemos a história dele, vemos seus pontos fracos e como se importa com alguns poucos amigos, além de Vanessa, por quem ele faria qualquer coisa.

Como apontei antes, Vanessa é uma personagem que, por menor que seja comparada aos outros, ela cativa. Vanessa não parece submissa ou menor diante de Fisk, mas uma igual, quando não parece até mais segura que ele. Fisk é um personagem com problemas de auto controle e às vezes é ela que vem ajudá-lo a ficar firme.

Não é só Fisk que vemos fora do papel de vilão, também vemos várias cenas com outros capangas, que por mais que não sejam tão densos quanto Fisk, dá um ar diferente para a história, principalmente a relação entre os irmãos russos (Curiosidade: Gideon Emery, que interpreta Anatoly, é o dublador de Fenris no Dragon Age 2)

  • Audiodescrição

A série é sobre um herói cego, então nada mais justo que a Netflix colocar audiodescrição para os episódios. Tentem um dia assistir uma cena com a audiodescrição. Infelizmente, são poucas as séries, programas e filmes que dão essa opção, fazendo com que pessoas que não podem ver fiquem de fora desse tipo de mídia. Esse tipo de inclusão sempre vai ser um ponto positivo.

  • A história

Como disse antes, os episódios funcionam sozinhos, mas todos juntos é como um filme de 13 horas. A história vai seguindo e o espectador fica “só mais um” até que a temporada acaba.

São personagens interessantes com um enredo que não é previsível e dá várias reviravoltas. Nunca iria prever o episódio em que Foggy descobre que Matt é o Demolidor, assim como também nunca imaginava que Karen mataria James. Além de que, mesmo que só tivesse a primeira temporada, a história funcionaria, pois ela toda possui começo, meio e fim. Claro que queremos ver o resto, mas se por algum acaso terminassem na primeira temporada, a série continuaria mesmo assim.

O primeiro episódio é considerado lento para alguns, mas ao longo da série o enredo vai pegando ritmo e conseguimos entender o que aconteceu com os personagens e o que acontecem com o arco de cada um deles.

Quero fazer um destaque ao episódio que, como já comentei, Foggy descobre a verdade sobre Matt. É uma relação de amizade forte, os dois choram e ficam alguns episódios sem conseguir se falar. Normalmente, esse tipo de cena seria entre Matt e uma mulher, mas quem está preocupado aqui é Foggy, ele ama e se importa com o amigo e ainda não é fácil encontrar cenas como essas, mostrando homens “fortões” chorando enquanto discutem.

  • Não é o mundo todo que fala inglês

Muitas vezes vemos filmes ou séries dos Estados Unidos que tentam representar pessoas de outras nacionalidades, mas elas sempre falam inglês, até entre si. Não é novidade que os nossos vizinhos de continente não são os melhores para representar o resto do mundo.

Então foi quase uma surpresa quando vi os irmãos russos falando entre si em russo, a senhora chinesa falando em chinês com as pessoas que trabalhavam no galpão dela… Não é nada difícil de fazer, mas não é algo que vemos sempre, então ponto positivo.

  • Falta Representatividade

Infelizmente a série peca em alguns pontos, sendo representatividade o maior deles. Os três personagens principais são brancos, dois deles são homens cis. A série tem seu mérito por representar mais de um personagem cedo, porém não mostra outras deficiências. O número de homens é bem maior que o de mulheres e há poucos personagens negros, sendo que Ben morre e Claire aparece pouco.

Apesar de gostar muito das mulheres da série, muitas delas possuem características que incomodam. Vanessa, apesar de incrível, é uma personagem secundária do núcleo de Fisk, tendo como principal função dar um ar mais humano e ser o par romântico do vilão. Claire também é incrível, mas possui pouco espaço e aparece – principalmente – para curar Matt e ser um possível par romântico.

Karen poderia entrar na lista, sendo uma mulher doce e que ajuda os dois principais, mas eu leio a caracterização dela de forma diferente. O arco dela é incrível e apesar de começar como uma secundária do arco de Matt e Foggy, ela ganha força por si só, indo atrás de Ben para tentar derrubar Union Allied. Quando ela mata James, ela não muda completamente para uma mulher durona ou fica no canto chorando. Acho, inclusive, que a resposta dela ao incidente foi uma das mais humanas que já vi: Ela esconde, sabe que fez o que precisava, mas o remorso vem de vez em quando, que é a reação que muitos teríamos na mesma situação.

Porém há um fator que envolve Karen que é incômodo. As poucas interações entre duas mulheres que vimos foram entre ela e Marci, a ex de Foggy, que acabou criando um ar de competição.

Também não há, por enquanto, nenhum indício de representação LGBT+, mesmo achando que Matt e Foggy possam ter futuro (eu shippo) e que os dois se relacionarem com mulheres não os faz necessariamente hétero, ainda não há confirmação na série de representatividade nesse sentido.

  • Os vilões são russos, chineses, japoneses…

Apesar de Leland e o próprio Fisk serem dos Estados Unidos, a gangue dos vilões é composta, em sua maioria, por estrangeiros. As escolhas dos países também parece bem específica se pararmos para pensar.

Não é preciso dizer muito dos russos, os Estados Unidos tem um histórico de retratar russos como vilões desde a guerra fria. Além dos irmãos russos terem vindo de um passado pesado, Vladimir e Anatoly, principalmente o último, possuem mortes bem pesadas. Nobu é japonês e o Japão não é o país preferido dos Estados Unidos desde a segunda guerra mundial. Madame Gao, a chinesa, parece ser a mais competente e perigosa do grupo. Por um lado é bem legal ver uma senhora nessa posição de poder (é dos membros da gangue ela é a mais interessante), mas Gao cai numa questão xenofóbica dos Estados Unidos que também possui seus conflitos com a China.

Apesar desses dois pontos negativos (e outros detalhes), Demolidor é uma série muito boa, com potencial para crescer ainda mais e inclusive melhorar esses erros. Então, se for o seu estilo de série e não se incomodar com a quantidade de cenas violentas (não são poucas) vai lá e dá uma chance!

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