“Igualdade de gênero em áreas da tecnologia é essencial” diz fundadora do Women Up Games

women up games

Ultimamente temos ouvido muito sobre mulheres no mundo gamer, não? Não só na representatividade delas dentro dos jogos, que também é muito importante, mas também vemos várias pesquisas mostrando que somos quase metade do público gamer. Mesmo com o aumento desses números, a porcentagem de mulheres criando games ainda é muito pequena. O Women Up Games foi criado com o objetivo de conectar as mulheres ao mundo dos jogos.

O Ideias em Roxo entrevistou Ariane Parra, CEO e fundadora do Women Up Games, que falou um pouco de seus projetos, sobre mulheres no mercado gamer e os próximos eventos que irão acontecer nessa área.

Ideias em Roxo: O que é o Women Up Games? De onde veio a ideia e qual o objetivo do projeto?

Ariane Parra: A Women Up Games começou como uma iniciativa ano passado vinda de mim mesma quando cursei um ano de design de games e na minha turma em torno de 98% eram homens. Já estudava empreendedorismo desde 2009 e sempre quis trabalhar com games, até tentei abrir uma empresa independente de criação de games com alguns amigos porém não deu certo e vi que realmente só criar jogos não era muito bem o que eu gostaria de fazer, o objetivo de inclusão de mulheres nessa área que tanto me incomodava (e incomoda) não ia ser atingido se eu continuasse só desenvolvendo games.

Dessa forma, no começo de 2014, comecei a ir em eventos de empreendedorismo e tecnologia e a fazer palestras com o tema “Mulheres no desenvolvimento de games” que engloba o sexismo em alguns jogos e o percentual de mulheres desenvolvedoras de jogos mundialmente. Foi uma explosão de sensações que realmente me fez entender que esse era o caminho que eu gostaria de seguir, até que eu fui convidada pra fazer uma palestra no Instituto Federal de Brasília com o mesmo tema e vi pessoas empolgadíssimas para que realmente aquela iniciativa se tornasse uma empresa. Em abril desse ano apresentei a ideia de tornar isso uma empresa estruturada para a minha amiga Juliana Coringa, que hoje é a pessoa que está comigo para o que der e vier, como diretora de planejamento estratégico e imagem, com certeza foi uma das melhores escolhas para a Women Up Games nesses últimos meses.

Pois bem, a Women Up Games agora está crescendo e como maior objetivo de conectar mulheres ao mundo dos games, tanto jogando quanto desenvolvendo, a expectativa é criarmos eventos chamados “game days” para mulheres e workshops para incentivar o desenvolvimento de jogos. Temos muitas novidades vindo por aí e eu como fundadora da Women Up Games estou muito feliz com as mulheres incríveis que nos mandam email, aparecem para conversar e apoiam, isso que faz cada vez mais irmos em direção a nossa principal meta que é impactar primeiramente o Brasil com uma rede de mulheres com um objetivo em comum, a paixão por jogos digitais.

Ultimamente temos visto muitas pesquisas que apontam que quase metade do público gamer é composto por mulheres, mas como fica essa porcentagem quando falamos de mulheres criando games?

Exato, há muitos infográficos e pesquisas na internet que revelam que o número de mulheres gamers está (quase) equiparado com o número de homens jogando; Pois é, porém isso não resolve nossos problemas, ainda sim há pouquíssimas mulheres se juntando em grupos para jogar ou passando ilesas sem nenhuma cantada nos jogos online. Essas questões são essenciais de serem apresentadas nos veículos de comunicação, levo essas considerações nas minhas palestras. Já o número de mulheres desenvolvendo jogos não passa de 15% aqui no Brasil, segundo alguns estudos e artigos, dessa forma esperamos que a Women Up Games seja uma grande alavanca para que esse número possa aumentar periodicamente.

Apesar do número de mulheres gamers ser grande, os fórums e jogos online ainda são ambientes hostis para as gamers. Você acha que isso afasta as mulheres tanto de jogar quanto de participar do mercado?

Percebo que nos grandes fóruns ou até grupos relacionados de redes sociais como o Facebook, as mulheres passam por algumas situações machistas (que não é raro de acontecer) e acabam se juntando em um grupos somente de mulheres. Hoje em dia eu diria que esses fóruns afastam as mulheres sim, porém nós estamos cada vez mais unidas em relação a isso, entendendo que temos mulheres com o mesmo interesse, nos juntamos em grupos e reprimindo qualquer tipo de machismo nos jogos. Para participar do mercado de games ainda precisamos nos envolver mais, para que mulheres não se sintam inibidas pelo mercado hoje (ainda) ser majoritariamente masculino e precisamos combater as diferenças salariais por gênero, que infelizmente mundialmente ainda existem no mercado de desenvolvimento de jogos.

Na sua experiência, uma vez que a mulher consegue entrar nesse mercado, ela é bem recebida pelos colegas homens? E a recepção dos fãs?

Muitas vezes somos vistas como “as diferentes”, já ouvi uma vez por aí que eu não pareço fazer o que faço. Já ouvi o contrário também, de alguns lugares falarem de jogos digitais e logo lembrarem meu nome. Eu digo que estamos passando por uma mudança na cultura (ainda bem) e que cada vez mais as mulheres que fazem jogos, as que dublam jogos e as que amam jogos em geral estão sendo reconhecidas (hoje aos poucos), mas na minha percepção e experiência a igualdade de gênero nas carreiras de tecnologia está sendo assunto em vários lugares do Brasil e do mundo, estamos conseguindo caminhar para melhorias finalmente.

Você acha que ter mulheres criando games pode melhorar a questão da representatividade?

Com certeza, não só para games, mas a igualdade de gênero em áreas da tecnologia é essencial. Assim como precisamos de mais homens atuando em áreas culturalmente denominadas femininas, o ponto ótimo seria a igualdade em todos os ambientes. Nos jogos precisamos mostrar mais as mulheres protagonistas e precisamos de mulheres desenvolvendo sim para igualar o ambiente, com pontos de vista que agregam nas desenvolvedoras independentes ou até nas grandes do mercado.

Nos últimos anos a participação das mulheres nesse meio tem aumentado, a E3 desse ano mostrou um pouco disso, tínhamos mulheres protagonistas nos games e mulheres apresentando os jogos, mas ainda há espaço para melhorar. Quais você acha que são os próximos passos para que esse espaço continue aumentando?

Primeiramente precisamos que todos ajudem a inibir jogos que tenham o tipo de sexualização feminina ou do modelo “donzela em perigo”, a partir daí vamos conseguir que muitos que impõem jogos assim à sociedade tenham ciência do quanto essa retratação da mulher nos jogos incomoda e não é nada saudável.

Você pode contar um pouco dos próximos planos do Women Up Games? Próximas palestras, workshops e eventos?

Temos muitas novidades e gostaria de pedir para que todo mundo siga a nossa página do Facebook e olhem nosso site para nos acompanhar. Nossa agenda está para sair em breve mas já adianto alguns eventos que vão ocorrer logo:

25/08 – São Paulo – Painel de Tecnologia e Inovação da Convenção Internacional Mulheres que Decidem pelo convite da Tabatha Moraes que fundou a rede Mulheres que Decidem, ao lado de figuras incríveis como a Camila Achutti (Mulheres na Computação) e Viviane Cabral (Sky Office). A inscrição é gratuita, participem: https://www.sympla.com.br/convencao-internacional-de-mulheres-que-decidem—aniversario-da-rede__38713

28/08 – São Paulo – Women in Tech: Pionners of Britain and Brazil – Participarei como ouvinte dos trabalhos de mulheres que admiro. Se alguém quiser bater um papo e conhecer um pouco mais sobre a WUG esse é o momento. Inscrições gratuitas pelo site: http://www.eventick.com.br/women-in-tech-pioneers-of-brit

11 e 12/09 – Goiânia – 3º Encontro de Mulheres na Tecnologia – Palestra falando sobre sexismo nos games e mulheres no mercado de desenvolvimento de jogos. Inscrição: http://mulheresnatecnologia.org/encontro2015/ com ingressos de R$40 (estudantes e caravanas) a R$80 (inteira)

Fim de setembro (data a confirmar) – São Paulo – Evento de jogos para mulheres no Sallon Pub.

Vale ressaltar que nosso primeiro game day brasileiro de videogame somente para mulheres acontecerá na Virada Tecnológica da PUC-SP no campus de exatas dia 17/10. Garantam sua vaga pelo link: https://www.sympla.com.br/1-game-day-brasileiro-de-futebol-digital-para-elas__36680

Para saber mais informações sobre o WUG acesse o site www.womenupgames.com e não esqueça de curtir a página do facebook https://www.facebook.com/womenupgames

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