As mulheres da ficção que marcaram minha infância

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Hoje é 08 de março, dia internacional da mulher, um dia que vai muito além de você dar flores para as “mulheres da sua vida”, afinal pouco adianta fazer isso e continuar com atitudes machistas. Como sempre comento aqui no blog, representação é algo muito importante e ter obras ficcionais que falem sobre feminismo ou tenham personagens com esse discurso é uma forma de criar debates sobre o assunto.

Pensando nisso, fiquei tentando lembrar de personagens mulheres que tenham marcado minha infância e adolescência, seja com um discurso feminista mais direto ou só por serem mulheres fortes que me mostraram que eu podia fazer coisas incríveis também. Com isso na cabeça, fiz uma lista de sete personagens que, mesmo quando eu nem sabia o que era feminismo ou não me identificava como feminista, me ajudaram a formar a pessoa que eu sou hoje.

  • Sarah Williams (Labirinto)

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Ela tinha que ser a primeira da minha lista, não só por ter sido uma das primeiras (se não a primeira) heroína que tive como modelo, mas também por ser a protagonista do meu filme preferido.

Falo dela (e do filme) sempre, Sarah é uma adolescente de 15 anos que comete um erro: Pede para que o Rei dos Duendes leve seu irmão embora, ela só não imaginava que os duendes realmente fossem aparecer e realizar seu desejo. Por isso, Sarah precisa enfrentar vários desafios no Labirinto e a inteligência dela ganha da magia de Jareth.

Eu me identificava com Sarah em vários aspectos, da teimosia até o “viver no mundo da lua”, talvez na época não tenha apreciado tanto os discursos dela, mas vi esse filme inúmeras vezes durante os anos e a frase mais marcante dela “Você não tem poderes sobre mim” foi cada vez mais fazendo sentido, Sarah me ensinou que homem nenhum pode ter controle sobre nós e nem nos manipular, não importa o que aconteça.

  • Docinho (Meninas Superpoderosas)
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Essa sou eu acordando cedo.

Quando era criança, também conheci um dos desenhos que viraria um dos meus preferidos: As Meninas Super Poderosas. Hoje sabemos que todo o desenho tinha aspectos bem feminista, desde as três heroínas combatendo o mal, até questionando vários papéis de gênero.

Porém, de todas as três eu sempre me vi na Docinho, não só pelo cabelo escuro, mas pela personalidade. Até hoje, quando as pessoas se aproximam mais de mim, elas falam que antes tinham a impressão que eu era uma pessoa de “poucos amigos” e “brava”. E de fato, eu via muito desse jeito explosivo da Docinho em mim.

Além disso a Docinho não era o tipo de menina “fofa que gostava de rosa”, não que haja qualquer problema em meninas que são assim, mas não era o meu caso, eu e Docinho gostávamos de “coisas de meninos” e ficávamos bravas se nos questionassem sobre isso, ainda mais se viesse de um cara.

  • Mulan (Disney)

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É verdade que a minha princesa preferida é a Bela, mas a Mulan me marcou de uma forma diferente. Enquanto a Bela mostrava o que eu era, a menina solitária que gostava de ler, a Mulan me mostrava o que eu poderia ser.

Contra a vontade de todos, Mulan foi pra guerra para que seu pai não precisasse ir. Ela teve que se esforçar e provou que podia ser melhor que qualquer um dos homens que estava ali. A Mulan é uma das primeiras imagens que vem na minha cabeça quando penso em “Fight Like a Girl”.

Com esse filme eu vi que não importava que muitos dos meus interesses eram áreas dominadas por homens, que mesmo assim eu tinha capacidade de ser tão boa, se não melhor, que eles. Eu cresci e aprendi que infelizmente as mulheres não recebem as mesmas chances, o que dificulta bastante, mas Mulan me incentivou a continuar tentando, mesmo que vários homens me digam que eu não possa.

  • Olivia Benson (Lei e Ordem SVU)

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Eu comecei a ver Lei e Ordem SVU lá com meus 11 anos, talvez eu fosse muito nova pra ver uma série com esse teor, mas eu sei que muito do entendimento que tenho hoje sobre crimes cometidos contra mulheres veio dessa série.

A Olivia era a única mulher na equipe da época (eu não comecei pela primeira temporada, por isso demorei pra conhecer a Jeffries) e eu queria ser que nem ela, uma mulher que não se intimidava com todos aqueles homens que a ameaçavam. Sempre que alguma pessoa começava a pensar em culpar a vítima, Olivia já defendia dizendo que não importa o que a mulher fez, nenhuma merece ser vítima de qualquer tipo de violência.

Até hoje assisto a série e é engraçado que quando mais nova, eu conseguia ver casos bem horríveis sem me incomodar, hoje tem episódios que me deixam mal, talvez por ter ganhado mais consciência, mas eu sempre quero aplaudir de pé quando a sargento Olivia Benson faz algum discurso feminista.

  • Jasmine (Deltora Quest)
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A imagem é do anime baseado nos livros

Eu cresci numa casa onde sempre me incentivaram muito a ler, mas foi só quando conheci Deltora Quest que eu comecei a gostar de ler. O livro falava de um trio de heróis, Lief, Barda e Jasmine, que precisavam juntar todas as pedras do cinturão de Deltora.

Automaticamente eu me senti representada com Jasmine, ela era a única garota do grupo. Muitas pessoas na minha infância e adolescência, incluindo adultos, faziam questão de falar da minha aparência, de como eu andava desleixada e como meu cabelo era “armado demais”. A descrição da Jasmine nos livros era exatamente assim e ela sempre conseguia salvar o trio em situações que ninguém sabia o que fazer.

Jasmine me ensinou a não pedir desculpas pelo jeito que eu gosto de ser, mesmo que seja desleixado para os outros, mesmo que me digam que eu devia ser “mais feminina”. Em um dos livros inclusive ela prova que pode ser “fofa e feminina” por causa de um disfarce, mas ela não é assim e como ela, eu também não preciso ser de um jeito específico para me encaixar no que as pessoas acham que uma mulher deve ser.

  • Katara (Avatar)

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Quando eu tinha 12 anos, a Nickelodeon começou a transmitir Avatar: A Lenda de Aang. O primeiro episódio apresenta Katara e Sokka, dois irmãos da tribo da água do sul que encontram Aang preso em um iceberg. O mais legal é que eles só conseguem encontrá-lo porque Katara fica tão brava com o machismo de Sokka que acaba dobrando água sem querer.

Há inúmeras personagens incríveis nesse desenho, mas eu achei legal colocar Katara na lista porque ela nem sempre foi uma das minhas favoritas. No começo eu achava ela uma chata, muito “boazinha”, preocupada com todo mundo, eu achava que ela devia “chutar mais bundas” como a Toph. Até que eu descobri, só no livro três, que eu sentia isso por ela porque eu me via nela.

Apesar de ser meio brava como a Docinho e a Jasmine, eu entendi a revolta da Katara quando ela via uma injustiça, eu entendia o lado bondoso dela, eu entendia sua raiva quando um homem dizia que ela não podia fazer algo por ser mulher e eu cresci e amadureci junto com ela, enquanto assistia o desenho. Aprendi que esse lado sentimental que ela tinha, que eu tenho e muitas vezes escondo, não era uma fraqueza, e sim um lugar da onde posso tirar forças.

  • Clarice Starling

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Esse é outro caso de “acho que era muito nova pra assistir na época”, mas tudo bem. Como conheci Hannibal muito nova, só depois de um tempo percebi que a história tinha várias problemáticas, mas na época a personagem da Clarice me marcou bastante.

Primeiramente, vocês sabem o quão difícil é encontrar alguém com o mesmo nome que eu? Até o momento eu nunca tinha visto uma personagem com o meu nome e isso já me deixou empolgada. Além disso Clarice era uma detetive incrível que conseguiu enfrentar Hannibal Lecter de igual para igual.

Clarice teve que enfrentar machismo também, policiais mulheres não eram bem vindas, os homens a viam em vários momentos como só um rostinho bonito e inclusive um dos presos tentou assediá-la, mas ela seguiu firme e forte, desvendando o caso e fazendo seu trabalho, porque não podemos deixar com que homens nos impeçam de fazer o que queremos.

 

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Um comentário sobre “As mulheres da ficção que marcaram minha infância

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