Pokemon e a aventura do jogador

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Pokemon Go chegou no Brasil há algumas semanas, tendo mais downloads que alguns dos aplicativos mais usados em celulares e com mais usuários que o Twitter. Um dia depois do lançamento, já dava para ver várias pessoas na rua procurando por pokemon.

Algumas pessoas também aproveitaram a hype e voltaram a jogar as fitas de pokemon, outras esperam ainda mais ansiosamente pela versão Sun e Moon, que será lançada no final desse ano.

Há inúmeros textos e vídeos por aí falando os motivos pelos quais Pokemon Go fez tanto sucesso, de uma forma esse texto tem um pouco disso, mas enquanto deixava a hype me levar e voltava a jogar Pokemon Fire Red, fiquei me perguntando porque a franquia Pokemon em geral fez tanto sucesso ao longo dos anos.

Vamos concordar que o jogo é cansativo e é mais do mesmo boa parte das vezes. Todo mundo já sabe que vai sofrer quando entra em uma caverna cheia de Zubat. Já estamos cansados de treinar com inúmeras batalhas para deixar nossos pokemon bons o suficiente para a Elite dos Quatro. E já sabemos muito bem que alguma equipe criminosa do mal vai tentar fazer algo ruim.

É óbvio que há um trabalho de marketing que faz os jogos de Pokemon serem um sucesso, sem contar que ao longo dos anos o fator nostalgia também ajuda. Mas só isso não faz com que gerações novas sejam criadas e nem que um aplicativo de celular seja tão baixado ao redor do mundo.

Então o que é que faz Pokemon tão grande? O protagonista. Não Red nem Gold, mas o real protagonista: você.

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Para quem não está tão familiarizado, Pokemon acontece em um mundo similar ao nosso, mas com a diferença que temos criaturinhas fofas (ou não) e pessoas que as treinam, entre outras profissões que existem por causa dos pokemon.

Todo jogo começa mais ou menos do mesmo jeito, que é como o Ash começou na televisão. Você é uma criança que mora com a mãe, um dia o professor do laboratório da sua cidade decide te dar um pokemon para que você comece sua aventura. Você tem um rival e oito ginásios para derrotar antes de enfrentar a Elite dos Quatro e ser o melhor da região.

Apesar dos pokemon serem interessantes e do mundo dar certa liberdade para o jogador, há vários aspectos do jogo que poderiam fazer alguém desistir de jogar. Quem nunca jogou a segunda geração e quis largar tudo com o Miltank da Whitney? Sem contar que muitas coisas não fazem sentido. Se a equipe Rocket, ou qualquer uma das variantes, está invadindo uma cidade e impediu os treinadores de entrarem no ginásio, a polícia devia fazer algo, não uma criança que está passando pela cidade.

Foi aí que lembrei como eu me apaixonei de vez por Pokemon. Ao contrário do que algumas pessoas dos anos 90 vão dizer, a primeira geração não era minha favorita, e sim a segunda. Mas não era Silver nem Gold as minhas fitas preferidas, era a Crystal. Porque eu podia ser uma menina. Isso me fez entender um dos motivos pelos quais pokemon funciona.

Pokemon faz o jogador sentir como se fosse o próprio protagonista.

Todos os personagens principais de todas as gerações são muito genéricos. O jogador pode escolher o gênero e o nome, mas todos tem praticamente a mesma história, ou melhor, a mesma falta de história. A falta de um protagonista bem escrito impede que a pessoa sinta empatia pelo personagem, mas em um jogo e na forma que o Pokemon funciona, esse protagonista genérico faz com que o próprio jogador sinta que aquela aventura é sua e não de um personagem na tela. Não é por acaso que as pessoas falam “os meus pokemon” ao invés de “os pokemon do Red” quando jogam a primeira geração. Muita gente nem sabe os nomes dos personagens principais de cada jogo.

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Meus pokemon logo depois de derrotar a Elite dos Quatro na Pokemon Fire Red

Quando jogamos videogames, a mídia só funciona porque tem o jogador vivendo a experiência, mas em muitos jogos nós identificamos o protagonista e as coisas que acontecem com ele, mesmo que a câmera do jogo seja em primeira pessoa. Em Pokemon, por mais que tenhamos o nosso avatar, o jogo faz sentir como se nós fossemos os treinadores. A franquia vive falando em pessoas querendo ser as melhores, em não desistir e persistir mesmo que as coisas pareçam ruins (tipo só ter um Pikachu contra um ginásio de pedra). Pokemon faz com que o jogador sinta que ele está sendo o personagem principal de toda essa aventura, nós queremos ser os melhores, pegar todos e vencer as Ligas.

Mesmo com estruturas muito parecidas em todos os jogos, esse aspecto de se sentir como o protagonista de uma aventura faz com que as pessoas voltem para Pokemon, também faz com que novas gerações continuem consumindo e criando mercado para novas gerações.

Com tudo isso, surge Pokemon Go, o aplicativo que fez sucesso mesmo entre as pessoas que não jogam Pokemon. O jogo funcionou, está fazendo o maior sucesso, com alguma frequência aparece alguma história sobre como o aplicativo até ajudou algumas pessoas. Inclusive agora conseguimos compartilhar melhor a experiência, antes podíamos fazer trocas de pokemon, agora dá para jogar lado a lado com seus amigos ou até conhecer pessoas na rua por causa disso.

Pokemon Go parece ter aumentado o aspecto de se identificar com o protagonista. Assim como nos outros jogos, até temos o avatar na tela, mas mais do que nunca o jogador é o próprio treinador pokemon. Temos que literalmente sair de casa para capturar mais pokemon e derrotar ginásios. O número de passos que damos faz nossos pokemon nascerem e quando capturamos algum pokemon, ao fundo podemos ver imagens do nosso mundo, como se aquele pokemon estivesse na nossa casa. A realidade virtual já estava surpreendendo exatamente por esse aspecto de imersão do jogador, mas agora vemos isso em uma franquia que já buscava conectar jogador e protagonista.

Como tudo na vida, Pokemon, não só o aplicativo, mas a franquia toda, não está livre de críticas e é normal que várias discussões aconteçam por causa do sucesso de Pokemon Go. Também há muitas outras coisas que ajudam no sucesso desses jogos, muitas histórias interessantes e outras ruins. Há quem goste de Pokemon e quem não goste, tudo bem. De qualquer forma, essa franquia sabe como fazer seus jogadores quererem ser mestres Pokemon.

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