Thor: Ragnarok | Crítica

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Havia uma boa expectativa para esse novo Thor. Taika Waititi é um bom diretor, os trailers estavam agradando aos fãs, o filme parecia que ia abraçar a comédia e, até certo ponto, o brega. Independente de gosto pessoal, é uma fórmula que boa parte dos fãs da Marvel tem gostado cada vez mais.

Thor está tentando impedir o Ragnarok. Depois que descobre que Loki está no lugar de Odin, ele e o irmão vão até a Terra buscar o pai. O problema é que Hela, a deusa da morte e filha mais velha de Odin, aparece. Agora Thor e Loki terão que impedí-la de tomar Asgard e destruir todo o seu povo. Essa crítica não tem spoilers.

O tema que as pessoas mais tem falado é o quão engraçado o filme é. Todo mundo sabe que a Marvel sempre puxa o humor, além de que todo mundo já deveria saber que piadas e humor não faz um filme bom ou ruim. No caso de Thor, especificamente, o humor sempre ajudou. O segundo filme é o que puxou mais para o lado do sério e também o que menos funcionou. Um dos grandes acertos de Thor: Ragnarok é abraçar esse aspecto de não se levar a sério demais.

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Por outro lado, faltou balancear um pouco isso. Sim, há algumas piadas específicas que eu teria cortado, mas não é exatamente isso que incomoda, porque aí já cai no meu gosto pessoal. O problema é que, focando tanto no humor, Thor: Ragnarok falha em entregar certos momentos emocionais. Há alguns pontos cruciais durante a história que a audiência tinha que sentir o impacto, mas a comédia que vinha em seguida cortava essa imersão. O próprio Thor, como personagem, não tinha tempo de sentir as perdas e elas foram grandes nesse filme. Isso fez com que Thor: Ragnarok perdesse algumas chances. Mesmo Guardiões da Galáxia, que é comédia desde sempre, sabe entregar os momentos emotivos quando precisa.

O filme sabe perfeitamente que está inserido em um universo em que várias coisas aconteceram, então é melhor que a pessoa assistindo esteja em dia com os outros filmes da Marvel, ao menos Os Vingadores e os filmes do Thor anteriores. Temos participação do Hulk, Doutor Estranho e outros personagens ao redor de Thor.

É legal ver como tanto Thor e Loki tem conclusões para suas histórias que amarram diretamente com elementos do primeiro filme. Não só em formato de frases, mas também nas atitudes que eles tomam, nas escolhas feitas. Como uma pessoa que adora o Loki, foi legal ver ele e Thor lutando juntos, finalmente, mas o personagem não deixa de lado as características de deus trapaceiro.

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Mas há também personagens novas bem legais. Começando por Valquíria, uma guerreira que lutava por Asgard, mas agora serve o Grão-Mestre. Ela nunca fica para trás em luta nenhuma, tem pontos bem interessantes de personagem e um arco legal de acompanhar. Há um ponto ou outro que achei um tanto quanto corrido nela, mas nada que realmente atrapalhe. Também não dá para esquecer de Hela, que é uma vilã digna de quantos deuses vierem para cima dela. Cate Blanchett de fato mostra um lado da vilã quase assustador, que impõe sua presença. Uma pena que a Marvel continua achando impossível colocar mais de uma mulher no grupo de heróis. Quem sabe um dia eles chegam lá, né?

As lutas estão incríveis, eu normalmente não me importo tanto com coreografias, mas ver eles lutando nesse filme, principalmente Hela, foi muito divertido. Por mais que muitos momentos marcantes tenham sido revelado nos trailers, o filme tem uma carta e outra na manga para pegar o público de surpresa.

O roteiro tem um passo bom. Por mais que haja em alguns momentos, ao meu ver, um excesso de piadas, o ritmo funciona, não fica monótono ou parado em nenhum momento, assim como também não corre demais a ponto de não entendermos o que está acontecendo. Nesse aspecto, a única coisa que me incomodou um pouco é como, às vezes, é fácil demais convencer alguns personagens em certos momentos, mas junto com o todo do filme, essas coisas não atrapalham a imersão ou o quão divertido Thor: Ragnarok é.

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Os atores parecem estar muito confortáveis em seus papéis. Como já mencionei antes, Thor funciona muito bem quando puxa para a comédia. O filme tem sacadas muito boas, piadas que se encaixam tanto dentro do universo da Marvel, como diretamente para o público. As piadas não tiraram os momentos mais tensos do filme, sentimento que vai crescendo na segunda metade do longa.

A resolução de Thor: Ragnarok é bem interessante, as coisas que Thor percebe e como ele resolve o problema é algo que talvez incomode algumas pessoas, mas com certeza funciona e, para mim, foi uma das melhores saídas que o roteiro poderia ter usado. Só não foi melhor porque certos momentos no começo do filme, que faziam ligação direta com a conclusão da história, não tiveram impacto o suficiente.

Essa é a minha grande reclamação. Thor: Ragnarok vai tanto na piada que perde fôlego na hora de causar impacto emocional, que infelizmente enfraquece certas coisas do filme. Além disso, uma mudança ou outra que acontece muito rápido e fácil. Mas, tirando essas coisas, Thor é um filme muito divertido, que funciona bem e segue a linha da Marvel no cinema. Para o meu gosto pessoal, eu teria tirado parte da comédia, mas como falei antes, Thor funciona melhor quando não se leva a sério. Em geral, Thor: Ragnarok vale o seu ingresso e vai te divertir. Há duas cenas depois dos créditos, então não sai correndo do cinema.

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