Como as fanfics me ajudaram a escrever melhor

fangirl1_0

Eu sei o que você pode estar pensando. Quando pensamos nesse assunto, o automático é que nossa mente vá para Cinquenta Tons de Cinza, um livro que acho que todos nós podemos concordar que é bem ruim. Para quem não sabe, a história veio de uma fanfic de Crepúsculo.

Por esse e outros motivos, criou-se essa imagem de que fanfics são sempre ruins, mal escritas e de pouca qualidade. Não que não existam fanfics ruins, todo mundo aí que já gastou madrugadas no AO3, procurando histórias do seu ship preferido, já encontrou histórias que dá vontade de desver. Mas a coisa legal do mundo das fanfics é que é todo um espaço mágico, com espaço para histórias ruins e, veja só, outras que de fato são boas.

Se você é, assim como eu, uma pessoa que de vez em quando passa um tempo caçando fanfic, você provavelmente já se deparou com uma história boa de verdade. Não só os fatos são bem colocados, mas a própria escrita em si era bem feita. Sim, elas existem, dá uma chance para o seu fandom e eu garanto que você vai achar alguma que vale a pena.

Piadas na internet a parte, e eu gosto sim de brincadeiras com fanfics, essa parte do fandom e a prática de escrever essas histórias podem ajudar futuros escritores mais do que você pensa. Pelo menos para mim eu sei que ajudou. Hoje eu estou trabalhando em um projeto original meu e, quando tudo der certo, eu vou saber que parte disso é porque eu pratiquei por algum tempo com as tais das fanfics.

Continuar lendo

Anúncios

Star Trek: Discovery | Primeiras Impressões

star trek

Star Trek: Discovery é a nova série da franquia, que pode ser encontrada na Netflix. Ao contrário de outras que estão lá, os episódios de Star Trek: Discovery estão sendo lançados aos poucos, então só vai dar para maratonar caso você tenha alguma paciência para esperar todos saírem.

Criada por Brian Fuller e Alex Kurtzman, a história acontece 10 anos antes da série clássica. Os dois primeiros episódios são na verdade uma introdução do que acontecerá ao longo da temporada. Michael Burnham (Sonequa Martin-Green) é a primeira oficial da capitã Philippa Georgiou (Michelle Yeoh). As duas percebem algo estranho em um cinturão de asteroides próximo de sua localização. Quando Michael vai investigar, ela descobre que acabaram de topar com os Klingons.

Por enquanto, assisti aos três primeiros episódios e vou falar um pouco das minhas primeiras impressões deles, sem spoilers.

Eu não assisti a série clássica, então falo como pessoa de fora do fandom de Star Trek. Para mim, o primeiro mérito é que Discovery consegue abraçar os fãs novos e que sabem pouco da história de Star Trek. Mesmo não sabendo alguns dos termos e informações desse universo, ao longo desses dois primeiros episódios já é possível aproveitar tudo que o roteiro apresenta sem ficar completamente perdido.

Continuar lendo

Mãe! | Crítica

MOTHER_Jennifer_Artecines

Mãe! é um filme que tem dado o que falar nos últimos tempos. Aparentemente, é impossível sair do cinema sem uma opinião forte, você ama ou odeia. Antes de chegar na minha opinião pessoal, vou procurar fazer a crítica mais objetiva possível. Por enquanto, não vou falar de nenhum spoiler.

De fato é complicado falar sobre o que o filme é sem estragar a experiência, mas basicamente: Jennifer Lawrence, a mãe, (os personagens não têm nome, então vou usar o dos atores algumas vezes) mora nessa casa, no meio do nada, junto com seu marido, Javier Bardem, um poeta que está há algum tempo sem conseguir escrever. Mãe está reconstruindo a casa, que foi queimada e fez o marido perder tudo. Eles aparentemente vivem bem, até que Ed Harris, que é médico, chega na casa e é convidado a ficar lá pelo poeta. Mãe não fica feliz, e as coisas pioram quando a esposa do médico, Michelle Pfeiffer, também chega na casa.

Assim como a mãe, nós estamos perdidos nos inúmeros acontecimentos que vão acontecer ali. A câmera sempre acompanha Jennifer Lawrence, às vezes parado em seu rosto, outras vezes mostrando o que ela está vendo. Um dos grandes pontos positivos do filme é a atuação de Jennifer Lawrence, que coloca a emoção necessária em cada cena, dando movimento inclusive para momentos que são mais longos do que precisariam ser. As atuações como um todo se destacam, por mais que em boa parte do filme você não entenda porque os personagens agem de determinada forma, a atuação é o que faz o passo do filme não se perder.

Por outro lado, os personagens não tem profundidade. Sim, eu sei que há todo um significado por trás da história do filme e da identidade daqueles que estamos vendo, mas em termos de arco do personagem, a maioria deles termina no mesmo ponto em que começaram. Eles não passam de peças para o significado final da obra, o que até funciona, porém não vai além, não vemos mudanças e quando elas parecem que vão acontecer, principalmente com a protagonista, a personagem apenas volta para o ponto de seu arco que estava no começo.

Continuar lendo

Escrevendo personagens bissexuais

THE LEGEND OF KORRA

Há alguns dias eu postei um texto sobre estereótipos que encontramos em personagens bissexuais na cultura pop. Eu terminei concluindo que o problema não é a característica clichê em si, mas como isso pode dar uma representação ruim como um todo, já que muitas vezes é a única que vemos. Personagens que se resumem ao estereótipo não são representações tão interessantes, mas quando isso é uma característica no meio de várias, ou um personagem bissexual no meio de outros, aí a representação pode ser mais positiva.

Isso tudo aqui é o ponto de vista de uma pessoa, então seguir as minhas dicas não significa que nenhuma outra pessoa bissexual no mundo não vai criticar a representação da sua obra. Mas ler sobre o assunto, ouvir as pessoas da minoria em questão e, mais importante, se permitir ouvir críticas e dicas pode ajudar.

Eu entendo que às vezes ouvir críticas não é fácil, principalmente no ponto de vista de representação. Isso é considerado uma característica secundária das obras, então há sim muitos artistas que acham que pensar criticamente sobre isso é “censura” ou “impedir minha arte de ser livre”. Mas assim como estamos dispostos a ouvir dicas sobre narrativa, revisão de texto ou formatação, também precisamos estar dispostos a ouvir quando o assunto é representação.

Continuar lendo

Os estereótipos dos personagens bissexuais na cultura pop

From EPP

Dia 23 de setembro é o dia da visibilidade bissexual. Pois é, o B não é de banana, por mais que algumas pessoas insistam em ignorar as demandas dessa parte da comunidade LGBT+. Assim como as outras minorias, personagens bissexuais possuem um histórico cheio de problemas quando falamos de representação, então hoje vamos discutir um esses estereótipos na cultura pop.

Parece óbvio dizer que personagens bissexuais aparecem muito pouco na mídia. Com os anos, nossas opções para criar uma lista aumentam, incluindo alguns que realmente são positivos, mas ainda estamos muito longe de chegar em um ponto satisfatório. No relatório de 2016-2017 da GLAAD, foi estimado que apenas 4,8% dos personagens da televisão nos Estados Unidos eram LGBT+, ou seja, dentro desse número pequeno estão personagens gays, lésbicas, bissexuais, transexuais, etc.

Entre esses, 30% foram considerados bissexuais, um total de 64 mulheres e 19 homens. Considerando o número de séries na televisão dos Estados Unidos, esse número é muito pequeno. Sim, se juntar cinema, quadrinhos, jogos e outras mídias, certamente esse número vai aumentar, mas tente comparar com a imensidão de personagens heterossexuais em todas essas mídias. A situação está muito longe de se tornar um cenário considerado igualitário.

A questão não são só os números baixos, mas também o estereótipo em que esses personagens são colocados sempre que aparecem. Esse texto é para pontuar clichês que sempre caem em cima dos personagens bissexuais, que colabora para uma imagem preconceituosa que é feita do B no LGBT+.

Como os números do GLAAD apontam, mulheres bissexuais possuem mais espaço na mídia do que homens. Isso dá uma falsa impressão de que mulheres são mais aceitas, mas basta ver a representação dessas personagens para perceber que isso não é verdade. Mulheres bissexuais ouvem com frequência que na verdade elas são hétero, que gostam mesmo é de homem e só beijam mulheres em baladas. O típico comentário de gente que acha que sabe da sexualidade de alguém mais que a própria pessoa, né? Mas voltemos aos estereótipos.

Continuar lendo

Videogames não precisam ser só tiro e soco

Screen-Shot-2015-04-01-at-12.19.17-AM

Relaxa, eu sei que games não são só isso. Senta, respira e dá uma chance para o meu argumento. Eu pretendia escrever este texto depois da E3, mas ainda bem que não fiz, porque nesses últimos tempos eu consegui pensar muito sobre o mundo dos joguinhos.

A minha linha de pensamento foi a seguinte: Costumo acompanhar há alguns anos os lançamentos da E3, inclusive já teve ano em que escrevi sobre o evento. Cada ano que passa, eu tenho mais a sensação de que não estamos fazendo nada de novo. Os jogos que são apresentados são sempre os mesmos, os grandes destaques são franquias que já estão aí há muito tempo: God of War, Zelda, Mario… Isso não é ruim, esses jogos têm um grande público e funcionam. Ainda assim, me deixa um pouco chateada ver que as empresas parecem se preocupar muito mais com esses jogos, evitando criar coisas novas.

Lembro que no ano passado, a franquia nova que realmente me deixou empolgada foi Horizon: Zero Dawn. Era um jogo grande, com elementos bacanas que não vemos tanto e tinha uma mulher como protagonista. Esse ano também tivemos jogos novos anunciados, como Anthem, o novo jogo da Bioware. Sim, se vocês me conhecem, sabem que se a Bioware está fazendo algo, eu estou de olho e completamente empolgada. Por mais que Anthem não seja exatamente meu estilo de jogo, eu tenho certeza que darei uma chance para a nova franquia. Porém, independente disso, o que a gente viu do jogo até agora é mais do mesmo. Posso estar errada, mas um cenário com aspectos futuristas, com armaduras gigantes que parecem robôs e foco no combate de tiro não é novidade.

Acredito que, quando entramos nessa discussão, também não dá para ser inocente. O que existe em comum em reciclar franquias antigas e usar fórmulas batidas é que, por mais que seja mais do mesmo, o público gamer consome. As empresas querem vender e lucrar, então faz sim sentido que eles sigam uma fórmula que dá certo. Porém, pessoalmente, sinto falta de outras histórias sendo criadas, novos mundos que os gamers possam explorar, que não me façam assistir a E3 com a impressão de que já vi tudo aquilo antes.

Ao mesmo tempo em que estava pensando nisso, comecei a pesquisar referências para projetos pessoais. Videogames sempre foram uma grande fonte de referência para mim, desde sempre, então eu comecei a procurar títulos que não conhecia. Eu não fazia questão de jogos grandes, só queria que eles fossem focados em história e tivessem um universo interessante. Nessa, acabei encontrando muito mais jogos indie que atendiam o que eu estava querendo.

Continuar lendo

7º Episódio: The Dragon and the Wolf | 7ª Temporada de Game of Thrones

game-of-thrones-the-dragon-and-the-wolf-photos_x4h7

Mais uma temporada de Game of Thrones chega ao fim. Com um episódio de uma hora e meia, The Dragon and the Wolf deixa tudo preparado para o grande conflito que vai dar um ponto final na história de Westeros. Arcos foram concluídos e muitas decisões foram tomadas, nem todas da melhor forma.

O episódio no geral é divertido, a segunda metade é melhor que a primeira. Infelizmente, The Dragon and the Wolf começa de forma mais maçante e, inclusive, com algumas incoerências, mas com o tempo vai melhorando o ritmo e chegando no final. Algumas coisas de fato foram bem previsíveis, mas certos pontos da trama só tinham um caminho para ir até agora.

Por mais que Game of Thrones, como já mencionei antes, saiba fazer um show, as incoerências de roteiro ainda fazem com que certas cenas percam a força. Em alguns momentos, é como se eles tivessem medo de escolher caminhos arriscados, que é uma das grandes característica da série, que faz tanta gente gostar de assistir Game of Thrones. Entre momentos ruins e outros que nos fizeram vibrar, a série conclui sua penúltima temporada.

A partir daqui o texto terá spoilers do episódio.

Continuar lendo