Thor: Ragnarok | Crítica

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Havia uma boa expectativa para esse novo Thor. Taika Waititi é um bom diretor, os trailers estavam agradando aos fãs, o filme parecia que ia abraçar a comédia e, até certo ponto, o brega. Independente de gosto pessoal, é uma fórmula que boa parte dos fãs da Marvel tem gostado cada vez mais.

Thor está tentando impedir o Ragnarok. Depois que descobre que Loki está no lugar de Odin, ele e o irmão vão até a Terra buscar o pai. O problema é que Hela, a deusa da morte e filha mais velha de Odin, aparece. Agora Thor e Loki terão que impedí-la de tomar Asgard e destruir todo o seu povo. Essa crítica não tem spoilers.

O tema que as pessoas mais tem falado é o quão engraçado o filme é. Todo mundo sabe que a Marvel sempre puxa o humor, além de que todo mundo já deveria saber que piadas e humor não faz um filme bom ou ruim. No caso de Thor, especificamente, o humor sempre ajudou. O segundo filme é o que puxou mais para o lado do sério e também o que menos funcionou. Um dos grandes acertos de Thor: Ragnarok é abraçar esse aspecto de não se levar a sério demais.

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Guardiões da Galáxia Vol. 2 | Crítica

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A franquia Guardiões da Galáxia começou sem muitas pessoas acharem que realmente os filmes iam para frente. Os heróis não eram muito conhecidos, mesmo sendo da Marvel, e nós achamos que não seria nada demais. Mas a Marvel já provou que pode dar destaque para seus super-heróis no cinema. Guardiões da Galáxia é um exemplo de que, quando o filme é bem feito, os protagonistas não precisam fazer parte da tríade dos quadrinhos para atrair público.

Guardiões da Galáxia foi uma surpresa, mas agora já existia expectativa para o Volume 2. Nós confiávamos em James Gunn e queríamos ver um filme bom e divertido, então foi ótimo ir ao cinema e ver que essa segunda parte não decepcionou.

Depois dos eventos do primeiro filme, os guardiões da galáxia, agora como um grupo, estão caçando uma fera em troca de dinheiro, mas as coisas dão muito errado quando Rocket (Bradley Cooper) acha que é uma boa ideia roubar baterias da raça para quem estavam trabalhando. Os guardiões precisam fugir e são salvos por ninguém menos que Ego (Kurt Russell), o pai de Peter (Chris Pratt).

Essa crítica não tem spoilers do filme.

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Doutor Estranho | Crítica

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Depois de muita hype e várias notas boas no Rotten Tomatoes, Doutor Estranho chega ao Brasil, estreando dia 2 de novembro. Dirigido por Scott Derrickson, o novo filme da Marvel apresenta um mais um personagem para esse universo e também uma área nova: a magia. Saímos um pouco da ciência e robôs de antes e agora estamos vendo magos salvarem o mundo (ou não). Ah sim! Essa crítica não tem spoilers!

Dr. Stephen Strange (Benedict Cumberbatch) é um médico rico, famoso e com um ego bem inflado. Sim, é possível comparar o personagem com Tony Stark. Strange é um cirurgião muito bom e sabe disso. Mas como todo herói, ele passa por uma experiência que muda toda sua vida: Strange sofre um acidente de carro e perde muito do movimento das mãos. Ele procura todas as formas possíveis de voltar a ser quem era, mas no final das contas acaba indo para Kamar-Taj, já que ele descobriu que um homem que não podia andar voltou a se movimentar como antes depois de ir até esse lugar. Lá, ele conhece a Anciã (Tilda Swinton) que vai ensinar coisas que Strange nem imaginava antes.

Doutor Estranho é um filme de origem da Marvel. Ele acerta em apresentar o personagem. Vemos a vida de Strange antes de tudo, entendemos quem é aquela pessoa, suas motivações e sua personalidade. Depois do incidente que muda sua vida, o protagonista descobre coisas novas e acaba sendo jogado em uma aventura muito maior, vencer esses desafios prova seu valor na lista de super-heróis da Marvel. No final, temos um novo membro para o MCU que parece que pode adicionar coisas bem legais para aquele universo. Como alguém que está conhecendo Doutor Estranho agora e não leu os quadrinhos, o filme conseguiu me apresentar bem o personagem e as coisas ao seu redor. Talvez o problema aqui seja que a Marvel segue a fórmula de apresentação até demais. Mesmo que Doutor Estranho não tenha furos grandes no roteiro e tenha um ritmo legal, o filme não inova na sua forma de contar histórias. Isso não é necessariamente ruim, nem todo longa precisa inventar a roda, mas pode parecer um pouco como algo que você já viu.

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Capitão América: Guerra Civil | Crítica

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Finalmente chegou! Um dos filmes mais esperados da Marvel vem com tudo para seguir a tendência de heróis x heróis. Amanhã, dia 28 de abril, estreia Guerra Civil e sim, você devia correr pra comprar o ingresso porque o filme tá muito bom.

Eu já fiz um vídeo sem spoilers sobre o filme, mas repetindo algumas coisas: Não é preciso ver todos os filmes da Marvel para entender o que acontece em Guerra Civil, basta ver os outros Vingadores e você deve entender tudo (saber um pouco da história entre o Bucky e o Capitão América, que é tratada nos filmes dele, também ajuda).

As pessoas que não leram os quadrinhos também podem ficar tranquilas, o roteiro faz um trabalho muito bom de adaptar a história, mesmo não sendo muito fiel, ela consegue trazer muitas das questões levantadas nos quadrinhos. O arco da Guerra Civil tem vários capítulos, então não seria possível adaptar tudo fielmente para um filme de duas horas e meia, mas acho que a Marvel mandou bem.

Pra quem, assim como eu, não leu Guerra Civil, vou explicar rapidamente o conflito nos quadrinhos: Vários embates dos heróis contra os vilões resultavam em mortes de civis e destruições das cidades, é só ver a quantidade de prédio quebrado durante qualquer luta de Os Vingadores. A população e os governos de vários países começam a questionar o que está acontecendo e boa parte quer responsabilizar super-heróis pelas mortes e danos causados. Por conta disso, surge o Ato de Registro de Super-Heróis, ou seja, toda a pessoa, podendo ser alienígena ou humano, que tiver algum tipo de poder e aja como vigilante precisa se registrar e revelar sua identidade secreta para o mundo. Isso faz com que os governos dos países possam não só responsabilizá-los no caso de tragédia, mas também monitorar suas atividades.

Muitos personagens da Marvel entram nesse conflito e escolhem um lado, um é o do Capitão América, que é contra esse Ato de Registro, e o outro é do Homem de Ferro, que é a favor.

No filme não é bem isso, mas o conflito criado tem semelhanças com o original. Depois da batalha final em A Era de Ultron, que destruiu boa parte de Sokovia, e de um conflito que não acabou muito bem durante o começo de Guerra Civil, os Vingadores são pressionados por mais de 100 países e também alguns entre eles, como o Homem de Ferro, a assinar o Tratado de Sokovia, que faz com que os Vingadores devam responder à ONU. Como já mencionei, o Homem de Ferro é a favor enquanto o Capitão América é contra, até porque Bucky vai acabar entrando na história, então começa a Guerra Civil.

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O filme, dirigido por Anthony Russo e Joe Russo, é muito melhor do que eu esperava. Não que eu achasse que o filme fosse ser ruim, mas achei que seria algo um pouco melhor que A Era de Ultron. De todo o núcleo dos Vingadores e filmes solos de cada herói, Guerra Civil é possivelmente o melhor longa que vimos até agora.

Nada como um roteiro bem feito. Tudo que aparece no filme tem um motivo e em vários momentos no final eles te apresentam a resolução de algo que apareceu no começo. Porque esse filme tem um roteiro com pontas amarradas, que não só apresenta um filme de ação e super-heróis que funciona, mas também está disposto a abrir um debate político interessante. Deixamos os heróis agirem por contra própria ou controlamos? Será que podemos confiar nos heróis? Será que a ONU é mais confiável que eles? E a destruição que acontece durante os embates, quem cuida disso?

Até acho que durante o terceiro ato do filme a discussão ficou menos política e mais pessoal, perdendo um pouco do ritmo e foi inclusive a primeira hora que percebi o tempo passar. Mas em geral o filme faz um bom trabalho em contar sua história e te deixa preso naquele universo na maior parte do tempo. A maioria dos personagens também está bem desenvolvida, pra mim o destaque foi o Pantera Negra de Chadwick Boseman, que fez o herói que apareceu pela primeira vez ser interessante e bem desenvolvido. Gostei muito mesmo, pra mim a questão dele e da Feiticeira Escarlate foram as mais interessantes, mas o embate entre Homem de Ferro e Capitão América, tanto um contra o outro quanto seus problemas pessoais, também são bem construídos. Pra mim a única coisa que faltou em questão de personagens foi uma figura de vilão convincente e desenvolvida, como os heróis estavam ótimos, demorei pra sentir falta, mas o vilão mesmo de Guerra Civil acaba ficando apagado.

Visualmente o filme funciona bem e o longa tem algumas das cenas de luta mais empolgantes que já vi. Eu não curto muito esse estilo da Marvel de colocar os personagens para conversarem muito durante os combates e fazerem piadinha, diria até que em alguns pontos foi muito, mas nada que atrapalhasse o andamento das lutas. Inclusive em alguns momentos fazia muito sentido, como as cenas em que o Homem Aranha aparecia.

Apesar de termos poucas mulheres, as que apareceram estavam, em geral, bem representadas, não precisavam ser salvas e nem sexualizadas para chamarem a atenção. Também tivemos três personagens negros, infelizmente nenhum deles era uma mulher, mas os três tiveram seus momentos de brilhar durante o filme. Como sempre, ainda podemos melhorar essa parte aqui, com certeza, mas a Marvel deu umas dentro.

Agora vou fazer alguns comentários com spoilers.

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Heróis, vilões e como encaramos a política

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Acredito que você que está lendo sabe que estamos passando por tempos complicados na política brasileira. Eu evito trazer esses assuntos para cá porque, apesar de serem importantes, aqui é um espaço de nerdice. Mas eu também tenho essa mania de relacionar coisas da vida real com as da ficção e dessa vez não foi diferente.

Esse texto vai além de “a vida imita a arte e a arte imita a vida”, eu não vou sentar e falar sobre as semelhanças entre a segunda trilogia de Star Wars e o que vimos acontecendo no último domingo, até porque as imagens da Padmé dizendo “É assim que a democracia morre, com muitos aplausos” passou por várias páginas. Na verdade eu queria falar sobre outra coisa que tem acontecido muito e que, além de me irritar, eu acredito que afeta muito o debate e o entendimento político do brasileiro.

Não é só na política que insistimos numa espécie de pensamento binário. As coisas são encaradas como 8 ou 80, “se não está comigo está contra mim”, isso ou aquilo, sem nada no meio ou além. Por exemplo: Sou contra o impeachment e o circo que foi feito pela mídia e políticos sobre o assunto, mas no momento em que eu digo isso eu já sou classificada como “petista” seguido de xingamentos. As pessoas não querem nem saber se eu realmente apoio o PT ou qualquer outro partido e minhas posições políticas, é muito mais fácil me jogar no saco dos “outros” ou até “inimigos”. Você pode achar que ouvi isso na rua pela cor da minha blusa, mas não, na rua não sofri nada, os xingamentos vieram de familiares e “amigos”.

Eu entendo que há momentos na vida em que a gente é forçado a se posicionar, mas isso está muito além do Corinthians x Palmeiras que as pessoas têm feito. O caso mais gritante atualmente é o caso da presidenta, mas quando olho outros aspectos da vida em geral e até dentro de militâncias, vejo uma necessidade de colocar dois lados e a pessoa precisa ir para um grupo do jogo de queimada.

O que eu vejo é uma sociedade que se recusa a enxergar os tons de cinza nas coisas, que não aceita que certas situações não são tão simples e que classifica uma pessoa como petista só pelo fato de não ser a favor do impeachment. Não foram poucas pessoas que vi que votaram no Aécio, por exemplo, e acham um absurdo o que está acontecendo. E aí?

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Demolidor | Segunda Temporada

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Quem sentiu falta do Demolidor? Quase um ano depois do lançamento da primeira temporada, os fãs agora podem ver a continuação dos acontecimentos de Hell’s Kitchen em 13 novos episódios. Muita gente anda falando por aí que essa temporada é melhor que a primeira. Eu sinceramente não sei se concordo, na primeira temporada eu não esperava muito, então a série superou minhas expectativas e poucas coisas me incomodaram. Com a segunda temporada eu esperei bastante e, ao mesmo tempo em que gostei de muitas coisas, não gostei de outras. Lembrando que a minha crítica é baseada unicamente na série da Netflix, até porque não li o quadrinhos.

Começamos vendo Matt, Foggy e Karen tentando tocar a Nelson & Murdock sem falir, mesmo com o sucesso do caso de Fisk. Enquanto isso, descobrimos que existe um novo “herói” na cidade que está eliminando todas as gangues que tentam tomar a posição deixada por Fisk. Esse é o Justiceiro, interpretado por Jon Bernthal, que começa a temporada matando uma gangue de irlandeses.

Os primeiros episódios aparecem como um arco introdutório para o caos que continua em Hell’s Kitchen e, ao mesmo tempo, na vida de Matt, então nada mais adequado que, depois dos produtores explicarem como estão as coisas, apresentarem uma personagem que vai ser fundamental para o resto da temporada: Elektra, interpretada por Elodie Yung.

Tecnicamente Demolidor continua tão incrível como antes, a fotografia é sensacional e por momentos me vi olhando para alguns planos realmente impressionada com o trabalho feito. As cenas de luta continuam divertidas e violentas, inclusive para o meu gosto talvez até violentas demais. A impressão que tenho é que em quantidade, a segunda temporada teve menos momentos violentos, mas certas cenas foram tão gráficas que me questionei sobre a necessidade delas serem feitas de tal forma.

Nessa temporada há vários conflitos acontecendo ao mesmo tempo, ao contrário da primeira em que Fisk era o “vilão principal”, na maior parte da segunda temporada não sabemos exatamente quem ocupa esse espaço, o que acabou fazendo com que certas revelações fossem anticlimáticas.

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Jessica Jones | Primeira Temporada

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A Netflix acertou mais uma vez! Depois de uma adaptação muito bem feita de Demolidor, um grande herói do universo da Marvel, a Netflix vai para os quadrinhos de novo e produz uma série incrível de uma das heroínas mais importantes que conheci: Jessica Jones.

Jessica é uma investigadora particular de Hell’s Kitchen. Ela é forte, durona, se vira sozinha e não deixa que ninguém pise nela. Jessica não liga para a opinião dos outros, mas ajuda quem precisar sem pensar duas vezes. No meio de uma de suas investigações, Jessica precisa encarar um trauma de seu passado do qual vem tentando fugir há tempos, mas ela cansou de fugir.

A série me lembrou muito o estilo Demolidor, não só pelas semelhanças entre os protagonistas, mas também pelo estilo que a Netflix usou para ambas a série. Porém, arrisco dizer aqui que Jessica Jones é melhor.

Podem ficar tranquilos, esse texto não tem spoilers.

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