8º Episódio: Come to Jesus | Deuses Americanos

American Gods Season 1 2017

Depois de uma aventura de oito episódios, a primeira temporada de Deuses Americanos chega ao seu season finale. Muita coisa boa aconteceu e outras nem tanto. Normalmente esperamos um conflito maior no último episódio, ou uma revelação importante e tivemos tudo isso, só que algumas delas talvez não exatamente do jeito que nós imaginávamos.

Alguns personagens que já tinham aparecido voltam, como Anansi e Bilquis, e outros novos aparecem pela primeira vez para marcar presença, como Ostara. Wednesday e Shadow voltam a ser o foco, mas também temos espaço para a dupla Laura e Mad Sweeney.

Apesar de ter gostado desse final e da temporada em si, eu acredito que faltaram algumas coisas que eram importantes. Vou começar falando do episódio, como sempre, e no final do texto vou comentar um pouco da temporada como um todo e o que eu espero para a próxima.

O texto terá spoiler do episódio.

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5º Episódio: Lemon Scented You | Deuses Americanos

Depois de Git Gone, o quinto episódio de Deuses Americanos volta para a fórmula que já conhecíamos, com o “conto inicial” antes da história principal começar. Apesar de voltar ao que a série já andava fazendo, Lemon Scented You explica coisas que ainda estavam no ar até o momento.

Começando logo depois do último episódio, Lemon Scented You mostra o tão esperado encontro entre Shadow e Laura. Também finalmente conseguimos ver um pouco mais dos deuses novos e entender um pouco mais sobre o problema entre eles e Wednesday.

Lemon Scented You tem alguns momentos que não são tão fortes quanto a série gostaria, mas realmente levanta assuntos que são necessários para entender o universo de Deuses Americanos e a dimensão da tal briga em que Wednesday está metido. Há críticos que consideraram esse o mais fraco de todos até agora, mas eu discordo, Lemon Scented You cumpre bem a proposta e é bem divertido.

O texto contém spoilers do episódio.

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2º Episódio: The Secret of the Spoons | Deuses Americanos

American Gods Season 1 2017

Como prometido, vamos continuar falando de Deuses Americanos toda a semana. Dessa vez a crítica será sobre o segundo episódio da série: The Secret of the Spoons.

O episódio segue o formato do primeiro, parando duas vezes a história de Shadow para falar de outros “contos”. Começando logo depois do final do primeiro episódio, The Secreto of the Spoons começa a construir uma narrativa que faz mais sentido. Você ainda vai ficar um pouco perdido, mas terá a impressão que é essa a ideia e também que a série está caminhando para as respostas.

O visual de Deuses Americanos continua ótimo, porém menos evidente do que antes. As atuações, para mim, ainda são o ponto alto da série, mas The Secret of the Spoons também teve espaço para momentos mais tensos e aprofundar um pouco mais os conflitos que estão acontecendo ao redor de Shadow.

O resto do texto terá spoilers do episódio.

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3° Simpósio Global sobre Gênero e Mídia

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No dia 08 de março de 2016, no escritório do Google Brasil em São Paulo, aconteceu o 3° Simpósio Global sobre Gênero na Mídia, que é realizado pelo Instituto Geena Davis. Eu sabia muito pouco sobre o trabalho desse instituto e nem sabia que ia rolar o simpósio, só descobri uns dois dias antes, quando me falaram sobre e, sem saber muito sobre a programação, achei o assunto interessante e resolvi ir (obrigada Rebeca por ter me avisado).

Confesso que no começo, quando cheguei, fiquei desanimada e até considerei a hipótese de desistir e ir pra casa. A organização do evento não era das melhores, tinha um aglomerado de pessoas na recepção e várias que colocaram o nome na lista não puderam entrar de primeira porque o nome não aparecia no sistema, que foi o meu caso. O evento era pra começar às 15h e eu acabei chegando bem em cima da hora, mas ainda esperei até às 16h pra eles deixarem as pessoas com o nome “fora da lista” entrar. Isso também acabou fazendo com que o evento atrasasse.

Ainda bem que eu não desisti porque foram poucas falhas e muita coisa boa que eu fiquei muito feliz de poder ter presenciado. Talvez a minha única outra reclamação sobre o evento é que, durante o vídeo da Geena Davis, as pessoas que sentaram mais atrás não conseguiam ler a legenda. Muita gente lá, como eu, entendia inglês, mas não é o caso de todo mundo. O foco do evento era falar sobre gênero no audiovisual brasileiro, considerando a posição atual do país, é uma minoria privilegiada que consegue ser fluente em inglês ao ponto de entender algo sem legenda, por isso é importante a tradução. Por outro lado, já que não tínhamos fones com tradução simultânea, em todas as apresentações com convidados internacionais tínhamos alguém que traduzia o que foi dito depois, que foi um ponto bem positivo.

Caroline Heldman e João Feres Jr. apresentaram em seguida a pesquisa de Representação do Gênero na Mídia de Entretenimento Brasileira realizada pelo Instituto em 2014. O Brasil foi um dos países escolhidos por ser um dos dez com maior audiência cinematográfica e – pasmem – nós somos um dos melhores colocados nos rankings de mulheres trabalhando na indústria audiovisual. O Brasil é o terceiro colocado em número de mulheres diretoras (9,1%) e roteiristas (30,8%), além de ser o que possui maior número de mulheres produtoras (47,2%). Isso me faz pensar duas coisas: Primeiro que se eu achava a situação aqui ruim, imagina em outros lugares. Segundo, e até mais importante, a verdade é que eu nunca duvidei tanto que houvessem mulheres na área, o problema é que elas nunca possuem os mesmos espaços e oportunidades que homens, talvez por isso os números sejam tão chocantes. Além disso, todos os números ficam menores quando falamos de profissionais negros.

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Problematizando a ficção

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Esses últimos dias foram bem complicados. Aconteceram várias polêmicas dentro do mundo nerd, desde a notícia de que a Rey foi tirada dos brinquedos intencionalmente até o salário injusto da Gillian Anderson.

Eu tive mais visualizações do que o normal com o meu último texto sobre as roupas das personagens ficcionais e recebi todo o tipo de feedback. A maioria foi positivo, mas como todo o assunto que pisa em calos, tive alguns negativos. Entre xingamentos e “argumentações” que tinham mais raiva do que lógica, vi um questionamento que achei interessante trazer para um novo texto.

Algumas pessoas questionaram qual era a importância de problematizar algo da ficção. Alguns desses questionamentos vieram como textos que buscavam desmerecer o feminismo. Isso não é uma resposta, eu não tenho intenção de discutir com quem possui a mente fechada e busca qualquer desculpa para desmerecer um movimento só porque se sente confortável na posição privilegiada da sociedade. Na verdade, esse texto é para as pessoas que estão dispostas a conversar sobre problematização, sobre coisas nerds em geral e buscar entender melhor o assunto.

Há vários sites e blogs de minorias questionando e criticando aspectos da cultura pop. Qual a importância disso? Será que é mesmo, como fui acusada, “falta do que fazer” ou realmente existe algo maior aí?

Para começar, acho importante entendermos a importância da ficção. Ela é uma das formas de se contar histórias, é algo imaginado, que não existe, mas sempre passa uma mensagem e pode refletir certas coisas da vida real. Essas histórias são veiculadas através dos meios de comunicação: livros, filmes, séries e até jogos.

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O medo da força das mulheres | Sobre Drácula e os dias de hoje

As histórias de vampiros são um clássico do gênero de terror há séculos. Muito antes de Bram Stoker dar vida ao Drácula, os vampiros já assustavam as pessoas em contos e lendas. Por ser uma figura muito antiga, existem várias lendas diferentes e tipos de vampiros, desde o monstruoso sugador de sangue até o sedutor (e o que brilha).

O Drácula do Bram Stoker foi uma das primeiras histórias de vampiro que eu encontrei e até hoje é uma das minhas grandes referências quando falo sobre o assunto. Porém, como normalmente acontece, quando eu pego uma história que gostava muito antigamente para ver/ler hoje, eu encontro vários aspectos que não tinha percebido antes.

Todo mundo sabe que Drácula é uma história do gênero de terror, independente de você ter medo de vampiros ou não. O grande vilão da história, o próprio conde Drácula, mata pessoas, se transforma em animais, controla a mente das pessoas… Isso tudo é bem assustador e uma boa fórmula para um vilão, mas hoje, com um outro olhar, quando presto atenção nas mensagens que a história passa, percebo que talvez o Drácula não era exatamente a única coisa que o Bram Stoker colocou como “ameaça” no livro.

O jeito que as mulheres são colocadas na história revela padrões que a sociedade esperava que elas seguissem na época que o livro saiu (1897). Quando paramos para analisar como cada uma delas serve a história e o destino que elas tomam, conseguimos ver uma expectativa extremamente machista da sociedade da época sobre o que a “mulher de verdade” deveria ser.

Mina, Lucy e as esposas do Drácula representam tipos de mulheres e cada uma delas recebe o “fim” que a sociedade acha adequado para suas atitudes, o que me faz pensar sobre como, há muito tempo, a mídia e a representação de grupos em geral vem fazendo sua parte em manter certos papéis da sociedade.

Antes de entrar na análise propriamente dita, queria reforçar que, por mais que eu ame Drácula, isso não me impede de fazer análises e problematizar certos aspectos da história. Esse texto não é de forma alguma um tipo de discurso para você banir o Drácula da sua estante, só uma análise para você refletir.

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Deixa as minas serem fangirls em paz!

Já vou pedir desculpas logo no começo por esse não ser o típico texto que eu costumo postar. Hoje não tem análises, dicas, listas ou teorias, hoje vai ser um texto sobre um assunto que não sai da minha cabeça e um pouco de relato pessoal.

Caso você saiba ler inglês, o texto que me inspirou a escrever esse está aqui, que basicamente fala sobre como as pessoas e a sociedade em geral tendem a ridicularizar e tirar sarro de garotas adolescentes e das coisas que elas gostam.

Era uma vez eu, com meus 11-13 anos de idade, entrando na adolescência e sendo bombardeada por aquela ideia horrível que temos na escola de “precisamos ser aceitos e populares”. Eu sou uma pessoa muito introvertida, então “popular” não era um adjetivo que eu poderia usar para me descrever na escola (ainda não é, mas pula essa parte). A gente tinha a ideia de que as meninas “populares” eram aquelas que gostavam de se vestir bem, usar maquiagem, tinham os cadernos rosas e suas letras bonitas com glitter. Eu nunca fui nada disso, portanto eu não me encaixava.

Procurei a atenção em outro lugar, e aqui vou desenterrar provavelmente o momento que mais reproduzi machismo em toda minha vida. Eu gostava de videogame, de me vestir com roupas largas e de rock, o que acabou me dando um espaço em alguns grupos de meninos. Quando percebi, eu era um dos meninos, eu era aceita e azar daquelas meninas, né? Porque gostar de roupas e maquiagem era fútil, porque meninas que gostam de funk e pop não tem bom gosto musical, porque meninas que gostam de histórias de amor são bobinhas, ou pelo menos era isso que eu pensava.

Eu não queria ser uma das meninas, além da minha mágoa de não me encaixar no “padrão das meninas”, toda a sociedade ao meu redor dizia que elas eram uma piada, os meninos que andavam comigo falavam em como essas meninas eram bobas. Mas eu não, eu era “diferente”, eu era “legal”.

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