Escrevendo personagens bissexuais

THE LEGEND OF KORRA

Há alguns dias eu postei um texto sobre estereótipos que encontramos em personagens bissexuais na cultura pop. Eu terminei concluindo que o problema não é a característica clichê em si, mas como isso pode dar uma representação ruim como um todo, já que muitas vezes é a única que vemos. Personagens que se resumem ao estereótipo não são representações tão interessantes, mas quando isso é uma característica no meio de várias, ou um personagem bissexual no meio de outros, aí a representação pode ser mais positiva.

Isso tudo aqui é o ponto de vista de uma pessoa, então seguir as minhas dicas não significa que nenhuma outra pessoa bissexual no mundo não vai criticar a representação da sua obra. Mas ler sobre o assunto, ouvir as pessoas da minoria em questão e, mais importante, se permitir ouvir críticas e dicas pode ajudar.

Eu entendo que às vezes ouvir críticas não é fácil, principalmente no ponto de vista de representação. Isso é considerado uma característica secundária das obras, então há sim muitos artistas que acham que pensar criticamente sobre isso é “censura” ou “impedir minha arte de ser livre”. Mas assim como estamos dispostos a ouvir dicas sobre narrativa, revisão de texto ou formatação, também precisamos estar dispostos a ouvir quando o assunto é representação.

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Personagens LGBT+ também namoram

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Hoje é dia dos namorados! Alguns ficam felizes com a data, outros não muito, mas querendo ou não é um dia em que as redes vão se encher de mensagens sobre estar namorando, amor e tudo o mais.

Nós sabemos que na ficção, muitas vezes os únicos casais que tem espaço para demonstrar seu amor um pelo outro são os considerados padrão: Um homem cis com uma mulher cis. Qualquer casal que escape disso, envolvendo ao menos uma pessoa LGBT+, geralmente são esquecidos. Já é difícil encontrar um personagem LGBT+ com uma representação interessante, então imagina um casal. Quando eles aparecem, tem um tempo de tela menor ou uma das pessoas morre, muitas vezes acabam não podendo ter finais felizes que pessoas hétero conseguem ter.

Mas já que é dia dos namorados e pessoas LGBT+ também namoram, resolvi listar alguns casais da ficção que não estão dentro desse padrão. Eu sei que não vai dar para listar todos aqui, mas esses são só alguns dos exemplos que eu já vi e acho legais de serem lembrados.

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Personagens, romances e outros detalhes de Mass Effect Andromeda

E aí gente, como é que vocês estão?

O vídeo de hoje é sobre algumas informações novas que tivemos de personagens, romances e outros aspectos de Mass Effect Andromeda. As maiores novidades são as informações sobre a Peebee, os escritores que cuidaram de cada personagem e o fato da Bioware não querer revelar muito dos romances antes do jogo ser lançado.

Outra informação que saiu (depois que eu fiz o vídeo, então não tá lá, mals) é sobre as sidequests. De acordo com o produtor Fabrice Condominas, a Bioware pretende fazer com que as missões fora do arco principal sejam mais significativas e ligadas à história. Uma das reclamações sobre Dragon Age Inquisition é que algumas das missões fora da trama principal não eram relevantes. Ouvindo os fãs, a Bioware vai tentar ir um pouco mais para o lado de The Witcher 3, em que boa parte das sidequests faziam mais sentido com a história do protagonista.

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As mulheres da ficção que marcaram minha infância

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Hoje é 08 de março, dia internacional da mulher, um dia que vai muito além de você dar flores para as “mulheres da sua vida”, afinal pouco adianta fazer isso e continuar com atitudes machistas. Como sempre comento aqui no blog, representação é algo muito importante e ter obras ficcionais que falem sobre feminismo ou tenham personagens com esse discurso é uma forma de criar debates sobre o assunto.

Pensando nisso, fiquei tentando lembrar de personagens mulheres que tenham marcado minha infância e adolescência, seja com um discurso feminista mais direto ou só por serem mulheres fortes que me mostraram que eu podia fazer coisas incríveis também. Com isso na cabeça, fiz uma lista de sete personagens que, mesmo quando eu nem sabia o que era feminismo ou não me identificava como feminista, me ajudaram a formar a pessoa que eu sou hoje.

  • Sarah Williams (Labirinto)

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Ela tinha que ser a primeira da minha lista, não só por ter sido uma das primeiras (se não a primeira) heroína que tive como modelo, mas também por ser a protagonista do meu filme preferido.

Falo dela (e do filme) sempre, Sarah é uma adolescente de 15 anos que comete um erro: Pede para que o Rei dos Duendes leve seu irmão embora, ela só não imaginava que os duendes realmente fossem aparecer e realizar seu desejo. Por isso, Sarah precisa enfrentar vários desafios no Labirinto e a inteligência dela ganha da magia de Jareth.

Eu me identificava com Sarah em vários aspectos, da teimosia até o “viver no mundo da lua”, talvez na época não tenha apreciado tanto os discursos dela, mas vi esse filme inúmeras vezes durante os anos e a frase mais marcante dela “Você não tem poderes sobre mim” foi cada vez mais fazendo sentido, Sarah me ensinou que homem nenhum pode ter controle sobre nós e nem nos manipular, não importa o que aconteça.

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Vilões que amamos, vilãs que odiamos

 

Muito já foi dito sobre o fascínio que vários fãs têm pelos vilões das histórias. Eles são espertos, charmosos e às vezes com histórias mais desenvolvidas que os protagonistas. É só olhar para Loki, Hannibal ou o Coringa, mesmo fazendo coisas horríveis, ainda há várias pessoas que são fãs desses personagens. Não há nada de errado em gostar desses personagens, eu mesma gosto dos três, mas há uma diferença gigantesca em gostar do personagem e endeusar seus atos. Vou falar disso ao longo do texto, mas na verdade é em outra questão que quero me focar.

 

Ao mesmo tempo que existem vilões amados pelos fãs, existe um tipo que geralmente são odiados, ou melhor, odiadas. Nessa lista entra Cersei, Vee e Regina, vilãs que, apesar de terem seus fãs, possuem uma lista muito grande de haters. A diferença entre elas e os outros três que mencionei antes é que elas são mulheres.

 

Há uma tendência em odiarmos personagens mulheres em geral, mesmo as que não fizeram nada de errado, como Sansa ou Riley. Porém, quando olhamos para os vilões, fica óbvio pra mim que há um tratamento muito diferente entre os vilões e as vilãs. Há sempre várias pessoas com inúmeros argumentos contra elas, mas qualquer um contra um dos vilões é diminuído por qualquer motivo que seja.

 

Então resolvi escrever um pouco sobre o que tenho observado sobre esses personagens e sobre como, mesmo entre o covil maligno dos vilões, existe machismo.

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