Personagens LGBT+ também namoram

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Hoje é dia dos namorados! Alguns ficam felizes com a data, outros não muito, mas querendo ou não é um dia em que as redes vão se encher de mensagens sobre estar namorando, amor e tudo o mais.

Nós sabemos que na ficção, muitas vezes os únicos casais que tem espaço para demonstrar seu amor um pelo outro são os considerados padrão: Um homem cis com uma mulher cis. Qualquer casal que escape disso, envolvendo ao menos uma pessoa LGBT+, geralmente são esquecidos. Já é difícil encontrar um personagem LGBT+ com uma representação interessante, então imagina um casal. Quando eles aparecem, tem um tempo de tela menor ou uma das pessoas morre, muitas vezes acabam não podendo ter finais felizes que pessoas hétero conseguem ter.

Mas já que é dia dos namorados e pessoas LGBT+ também namoram, resolvi listar alguns casais da ficção que não estão dentro desse padrão. Eu sei que não vai dar para listar todos aqui, mas esses são só alguns dos exemplos que eu já vi e acho legais de serem lembrados.

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Horizon: Zero Dawn e as mulheres que salvam o dia

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Nesta semana da mulher, de 1º a 8 de março, portais nerds feministas se juntaram em uma ação coletiva para discutir de temas pertinentes à data e à cultura pop, trazendo análises, resenhas, entrevistas e críticas que tragam novas e instigantes reflexões e visões. São eles: Collant Sem Decote, Delirium Nerd, Ideias em Roxo, Momentum Saga, Nó de Oito , Preta, Nerd & Burning Hell, Prosa Livre, Psicologia&CulturaPop, Valkirias, Kaol Porfírio#wecannerdit 

Não é muita novidade para ninguém que o meio gamer costuma ter muito preconceito, incluindo o machismo. Mulheres não são tratadas da mesma forma em competições online, assim como o número de homens desenvolvendo jogos ainda é maior. Anita Sarkeesian está aí para mostrar que fazer críticas aos estereótipos das mulheres em jogos também não é tão simples assim. Quando um homem padrão faz um comentário, a opinião dele é respeitada, enquanto uma mulher é acusada de tudo antes de ter sua opinião levada a sério.

Eu mesma ainda recebo comentários ofensivos de textos que fiz falando sobre falta de representatividade em jogos, sempre que comento sobre estereótipos em que personagens mulheres são colocadas, entre comentários ofensivos, leio algum do tipo “nem todo o jogo precisa ser sobre preconceito!”. E isso é fato, nem todo o jogo precisa mesmo.

Quando falamos de representatividade na ficção, em geral há duas formas que ela pode acontecer: A história pode sim usar os seus personagens para construir críticas ao preconceito da nossa sociedade, ou pode simplesmente colocar personagens bem construídos lá, sem necessariamente falar sobre os preconceitos que essas minorias passam na vida real. Ambas são representatividades válidas. É importante que a mídia de entretenimento use sua influência para fazer críticas, contando histórias que discutam o preconceito, como no recente Estrelas Além do Tempo (que é ótimo), mas há outras formas também. Eu sou mulher, mas nem por isso meus únicos problemas na vida são relacionados ao meu gênero. Alguns são, mas eu e outras mulheres lidamos com outras questões também.

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Sense8, Especial de Natal e o futuro da série

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Antes de 2016 acabar, a Netflix lançou o especial de natal de Sense8. A segunda temporada da série será lançada em maio de 2017.

Para quem não lembra, no final da primeira temporada os sensate tinham passado pelo seu primeiro confronto contra os sussurros. Enquanto isso, cada um deles tinha que lidar com seus próprios problemas em várias partes do mundo. Sun estava presa na solitária, Lito precisava lidar com o fato de que seu relacionamento com Hernando tinha vazado na mídia, Kala estava em lua de mel com um marido que aparentemente não ama, Wolfgang está sendo perseguido por gângsters para tomar o lugar de seu pai, Capheus está tentando consertar a Van Damn, Nomi virou uma fugitiva e Will está se escondendo dos Sussurros com a ajuda de Riley.

Com duas horas de duração, Sense8 trás de volta todos esses personagens tão amados, avança um pouco na trama principal e também nos dá algumas cenas divertidas entre todos os sensate. Esse episódio seguiu bem o modelo que já conhecemos da série, tanto as partes boas quanto as ruins, e também pode nos indicar como algumas coisas serão levadas para a segunda temporada.

Essa crítica terá spoilers do episódio especial de natal e também algumas considerações sobre o futuro da série a partir de agora.

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Yuri!!! On Ice é uma das maiores surpresas do ano

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Yuri!!! On Ice é provavelmente o anime mais falado dessa temporada. Dirigido por Sayo Yamamoto, Yuri!!! On Ice tem 12 episódios, sendo que o primeiro foi lançado no começo de outubro. No Crunchyroll’s Anime Awards 2016, o anime foi indicado para várias categorias, inclusive Anime do Ano.

Yuri Katsuki, um patinador de gelo, fica arrasado com seu desempenho na final do Grand Prix. Duvidando de si mesmo, da sua carreira e tudo que construiu até aquele momento, Yuri volta para a sua família no Japão. Yuri visita sua amiga de infância, Yuko, que possui um ringue de patinação no gelo e lá ele consegue fazer toda a coreografia avançada de Viktor Nikiforov, que é ídolo de Yuri e também o maior patinador no gelo atualmente. Yuri nem percebe que seu treino está sendo gravado e vaza na internet. O resultado é que Viktor assiste o vídeo e resolve ir até o Japão, se oferecendo para treinar Yuri e ganhar o próximo Grand Prix.

A história de Yuri!!! On Ice acompanha Yuri nessa nova jornada, enquanto o relacionamento entre ele e Viktor vai se desenvolvendo ao longo dos episódios. O anime com certeza não é perfeito, alguns pontos da narrativa levantam a pergunta do “Qual a chance?”, sem contar todos os comentários que Yuri ouve no começo por estar “fora de forma”. Apesar da narrativa fluir bem na maioria das vezes, o último episódio não conseguiu ser tão marcante quanto outros, que tinham surpreendido a audiência. Por mais que a primeira temporada tenha concluído os pontos imediatos, ainda há coisas em aberto e novos caminhos para a próxima temporada. Mas Yuri!!! On Ice acerta bastante e com certeza o suficiente para juntar uma quantidade grande de fãs.

A arte do anime é linda, assim como as coreografias de dança. Pode cansar um pouco ver tantas performances, uma seguida da outra, mas até eu que não tenho muito saco para isso ficava empolgada com as apresentações. Isso porque, por mais que a pessoa não seja fã de assistir pessoas patinando no gelo, aquilo tudo é importante para o personagem, o anime transmite o peso daquele momento, então isso passa a ser grande para nós também.

Yuri!!! On Ice mostra patinadores de várias partes do mundo, o que é bem legal, e também torna esses personagens interessantes. Nosso foco é Yuri e sua relação com Viktor, mas nós também queremos saber sobre Yurio, Phichit, Chris… Até J. J., que era um personagem não muito querido pelo público, ganha seu próprio espaço para mostrar que é mais que um patinador que se acha incrível. Cada um dos competidores encara a competição de uma forma e isso torna o momento da patinação ainda mais legal. Isso tudo é feito por aqueles monólogos internos durante as apresentações, o que poderia ser chato, mas funciona. Primeiro porque o anime é uma mídia que permite que esse tipo de recurso aconteça sem ser muito esquisito, segundo porque nos leva para dentro da cabeça dos personagens.

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Jogos com Mulheres Protagonistas

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Estudos recentes mostram que a maioria dos gamers são mulheres. Por mais que ainda exista muita gente que insista em não acreditar nisso, dá para ver que algumas partes da indústria estão mudando para satisfazer essa parte do público. Ainda é pouco e temos muito o que melhorar, mas agora também vemos mais mulheres exigindo que as empresas de jogos pensem nelas quando criarem seus jogos.

Então se você tá afim de jogar alguma coisa que tenha uma mulher como protagonista, aí vão algumas sugestões de jogos recentes (sem spoilers!):

  • Transistor

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Transistor é um RPG da Supergiant Games lançado em 2014, disponível para PC, Mac e PS4. A protagonista Red, uma cantora da cidade Cloudbank, é atacada por robôs que servem um grupo chamado Camerata. Red consegue escapar e fica com uma espada, Transistor, que guarda partes das pessoas que foram mortas pela espada. O plano era que Red fosse eliminada com essa arma, mas não funciona e Transistor é enterrada no peito de um homem desconhecido. Ele morre e a espada absorve parte desse homem, junto com a voz de Red. O grupo Camerata quer a espada de volta e Red precisa enfrentá-los.

Como Red é uma protagonista muda, as falas do jogo ficam por conta da voz do homem dentro da espada. Isso poderia ter dado errado, mas Transistor consegue criar não só uma protagonista muito boa, como uma relação muito interessante entre o objeto e Red. Quando temos um protagonista mudo, normalmente suas ações, o falta de, são o que definem a personalidade do personagem e Transistor sabe usar isso bem.

Além de Red ser o centro da trama, o jogo é muito divertido, o universo é interessante e a história deixa pontos abertos para a interpretação do jogador. Nem todo mundo é fã disso, mas nesse jogo essa abordagem parece encaixar bem.

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O problema com as mulheres em The Witcher

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The Witcher é uma franquia muito conhecida e com muitos fãs. Ano passado The Witcher 3 foi eleito o jogo do ano. O RPG de fantasia medieval tem como protagonista o bruxo Geralt de Rivia. Nesse universo, os “bruxos” são pessoas geneticamente modificadas para ficarem mais fortes e ganham a vida matando monstros.

Apesar de nunca ter jogado, eu via certas coisas dos fãs que me dava muita preguiça do jogo. Como fã da Bioware, já acompanhei muitas discussões de fóruns que falavam de Mass Effect ou Dragon Age. Não era incomum ver algum gamer machista reclamando que, ao incluir diversidade, a Bioware estava tentando fazer aqueles jogadores terem “vergonha de serem homens héteros” e eles iam jogar um jogo que “não tentava envergonhar os homens héteros: The Witcher”. Considerando que uma das coisas que fez a Bioware ganhar meu coração é exatamente o fato deles tentarem sempre melhorar a representatividade, automaticamente eu criei uma birra com The Witcher. Afinal se aquele tipo de fã gostava, não sei se eu ia querer jogar.

Mas fã preconceituoso tem em qualquer fandom, infelizmente, então nos últimos meses decidi que ia jogar a franquia toda. Mesmo com esses comentários, muitas pessoas me diziam que The Witcher era realmente muito bom.

Fico muito feliz de ter superado a birra porque a franquia é de fato incrível, principalmente The Witcher 3. É um RPG de fantasia medieval com escolhas difíceis, história interessante, personagens cativantes… É com certeza uma das melhores franquias que joguei na vida.

Mas nem tudo são flores. Apesar de ser um jogo tão legal, não me surpreende tanto que a base de fãs seja composta por tantos gamers machistas. The Witcher tem sérios problemas com a representação das mulheres, mesmo nos jogos mais recentes. É ainda mais triste quando percebemos que muitas das personagens de peso para a história funcionar são mulheres, mas mesmo assim os estereótipos aparecem.

Esse é mais um daqueles exemplos de coisas que podemos amar mesmo vendo os problemas. Adorei mesmo passar essas semanas como Geralt de Rivia, mas nem por isso vou ignorar certos erros do jogo. É complicado ver um jogo tão bom em vários aspectos errar nessas partes. É também frustrante ver que o melhor jogo do ano de 2015 comete tantos erros com suas personagens mulheres.

Eu fiz questão de jogar todos os três jogos e as DLC antes de falar qualquer coisa para evitar o “você não conhece a franquia” ou “mas depois melhora” (não sei se vai ajudar, mas a gente tenta). Também entendo que os jogos são baseados em livros e talvez os originais sejam machistas. Primeiro precisamos lembrar que esses jogos são adaptações e mudanças são normais, ainda mais considerando que, pelo que andei lendo, muitos fãs dos livros falam que os jogos são bem diferentes. Segundo que alguns pontos machistas do jogo são coisas que não apareceriam na literatura, mas são usados em mídias como o videogame.

Caso você não tenha jogado nada de The Witcher ainda e quer saber se deve começar a jogar sem tomar spoilers, o que eu posso dizer é que a franquia é muito boa, ainda mais para quem é fã de RPG e fantasia medieval, então é um título que eu recomendo, mas saiba que você vai encontrar estereótipos e objetificação de mulheres no jogo.

Eu vou dividir essa postagem em tópicos, um para cada jogo e no final algumas considerações pontuais sobre as DLC de The Witcher 3, assim você pode evitar spoilers caso não tenha jogado algum deles.

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Machismo na fantasia medieval e o “naquela época…”

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Faz algumas semanas que começou a 6ª temporada de Game of Thrones e, como todo o ano, sempre que criticamos algum erro de representatividade ou preconceito contra mulheres na série, vem aquele argumento para defender:

“Ah, mas naquela época era assim mesmo”

Não é só com Game of Thrones que as pessoas usam esse argumento, qualquer fantasia medieval que tenha algum machismo em sua história é rapidamente justificado pelos fãs. Todos lembramos o quão machista foi a 5ª temporada e enquanto várias pessoas apontavam isso, outras vinham com esse argumento pra defender decisões absurdas dos produtores, então eu não fiquei nada surpresa de, já no primeiro episódio dessa nova temporada, alguém falar a mesma coisa.

De fato é importante que uma história tenha coerência com o seu tempo e espaço para funcionar. É óbvio que na ficção você pode fazer o que bem entender, mas a narrativa precisa se encaixar com o “onde” e “quando” da sua história. Por exemplo, em um filme que fala sobre a Joana D’Arc, seria esquisito colocar os personagens usando gírias e palavras dos tempos atuais.

O que as pessoas às vezes esquecem é que histórias como Game of Thrones e muitas outras ficções que os nerds amam não são relatos históricos, como um filme de Joana D’Arc, mas sim fantasia. O nome do gênero é fantasia medieval, portanto sim, vamos ter cavaleiros e lutas que vão remeter à nossa época medieval, mas é também um universo fantástico em que vão acontecer coisas que não necessariamente fazem parte da história medieval do mundo. Por isso que nessas histórias é comum encontrarmos magia de alguma forma, dragões e até outras raças como elfos, anões (edit: não estou falando aqui de pessoas com nanismo e sim da raça que aparece em muitos RPGs e histórias tipo Senhor dos Anéis), etc.

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