Crítica: Assassin’s Creed Syndicate

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Confesso que fazia muito tempo que eu não dava uma chance para Assassin’s Creed. Lembro de ter me divertido muito no segundo título da série, mas depois acabei deixando a franquia de lado durante Black Flag porque o desfecho do terceiro e o mais do mesmo tinha me cansado. Há algum tempo atrás a Ubisoft disse que o motivo de não terem assassinas mulheres nos jogos era porque “animar mulheres é mais difícil” e isso também me fez perder o interesse no jogo.

Aí anunciaram Assassin’s Creed Syndicate e para a minha surpresa tínhamos uma novidade: Uma protagonista mulher! Não era só ela, Evie Frye dividia o espaço de protagonista com seu irmão gêmeo, Jacob Frye, mas pra mim já foi motivo de dar mais uma chance pra saga. O fato de ser um dos jogos mais baratos entre os que eu queria quando fui comprar também ajudou, não vou mentir.

A história de Assassin’s Creed Syndicate se passa em Londres de 1868 durante a revolução industrial. Os gêmeos Frye, Evie e Jacob, vão para Londres e precisam enfrentar Crawford Starrick, um líder templário que está dominando a cidade com sua gangue. Enquanto Jacob prefere se focar em criar e fazer crescer sua própria gangue para enfrentar os templários, Evie foca em recuperar a peça do Eden.

O jogo preenche um dos requisitos mais básicos dos jogos: É divertido. Não conseguia largar o jogo, não tanto por uma história cheia de reviravoltas, até porque eu tinha perdido alguns jogos, mas porque o jogo era divertido, as missões exigiam um certo nível de estratégia e te dá vontade de conquistar todos os distritos de Londres. De fato, muitas missões secundárias eram repetidas, o mesmo estilo aparecia em todos os distritos, mas era satisfatório derrotar cada grupo da gangue rival.

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Os personagens são muito interessantes. Tínhamos personagens originais, como Henry Green, e também figuras históricas, que sempre foi uma parte muito divertida da série na minha opinião: Charles Dickens, Rainha Victoria, Karl Marx, Charles Darwin… A caracterização de todos eles era muito legal de ver, particularmente a de Marx, que ia nas ruas falar sobre suas ideias e insistia que os gêmeos deviam se importar com os trabalhadores. Evie e Jacob são um show especial, os dois principais são muito carismáticos, com suas próprias características eles conquistam o jogador. Jacob é sarcástico, estilo bad boy e descuidado. Evie é a mais responsável, gosta de ter as coisas organizadas e é mais metódica que o irmão. As diferenças também se refletem no estilo que cada personagem funciona na mecânica do jogo. Dá pra jogar de qualquer jeito com os dois, mas o Jacob é melhor com conflitos diretos e lutas, enquanto Evie é melhor em assassinatos furtivos.

O jogo é open-world, apesar de não podermos ir além da cidade de Londres, podemos andar por qualquer um dos distritos, fazendo várias missões e na ordem que preferimos. Além de escalar as construções, tínhamos um dispositivo que permitia o personagem lançar uma corda de um lugar para outro e passar rapidamente por áreas mais distantes. E o cenário em geral é muito bonito, é divertido olhar Londres, as pessoas, a arquitetura… Toda a experiência é bem legal.

Além de alguns aspectos repetitivos durante o jogo, outros pontos negativos que encontrei foram na história do jogo em si. A história não é ruim, mas a conclusão dela parece fácil e não muito satisfatória. Felizmente isso não tira a diversão do resto do jogo. Outra coisa que me incomodou é que o jogo não faz muita questão de introduzir jogadores novos da série na história. Eu não era uma jogadora nova em Assassin’s Creed, mas pulei alguns jogos, então fiquei perdida por um tempo na linha do tempo atual.

Assassin’s Creed funciona em duas linhas do tempo: a atual, em que a mente de uma pessoa é transferida para outro corpo, e a do passado, que é a que ficamos mais tempo, jogando com os assassinos. Antes era Desmond o personagem que voltava no tempo para a mente de seus ancestrais, mas depois do terceiro Assassin’s Creed, é como se fosse você, o próprio jogador, que tivesse sua mente mandada para o passado. No caso de Syndicate, os assassinos do tempo atual estão tentando chegar na peça do Éden em Londres antes dos templários, e para isso precisamos jogar toda a linha do tempo dos gêmeos Frye pra descobrir em que lugar a peça está.

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Falando sobre peças do Éden, aí entra a outra coisa que me incomodou no jogo. É muito divertido poder escolher com qual dos gêmeos jogar, mas boa parte das missões principais exigem que você use um dos irmãos especificamente. Sempre que eu podia, eu escolhia a Evie, mas com o jogo chegando ao final eu fui percebendo que as vezes que o jogo me forçava a mudar para o Jacob aumentaram e eu fiquei com a sensação de que, se uma pessoa variasse mais entre os protagonistas, ela jogaria muito mais com Jacob. Não é só impressão, fui pesquisar sobre e encontrei alguns números sobre as missões principais.

Total de missões principais: 42 (9 sequências)

Total de missões com Jacob: 24

Total de missões com Evie: 12

Total de missões que podemos escolher protagonistas: 7

Então nas missões necessárias para o jogo avançar, sabendo que não são todos os jogadores que jogam todas as missões secundárias, mesmo que a pessoa escolha a Evie em todas que puder, ela ainda tem cinco missões a menos que o irmão. Isso parece muito injusto, até porque tirando a capa do jogo, que o Jacob fica no centro, no começo o jogo apresenta o tempo todo os dois como dividindo igualmente o papel principal. Na sequência 8 não tem nenhuma missão com a Evie.

Outra coisa que passou pela minha cabeça é a importância da história de cada um no jogo. Os dois possuem personalidades que se completam, o que é muito interessante, e mesmo eles tomando rumos diferentes em Londres, a missão de limpar a cidade dos templários e a procura da peça do Éden se cruzam, o que eu achei particularmente legal do roteiro. Mas se pensarmos, a busca de Evie acaba sendo um pouco mais importante. Sim, o conflito entre templários e assassinos é um dos pontos mais importantes da franquia, mas em todo o jogo de Assassin’s Creed estamos procurando alguma peça de Éden, que tem uma grande importância pra narrativa do jogo em geral. Então por que um dos objetivos principais de quase todos os jogos da série dá literalmente a metade do número de missões?

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Fiquei buscando alguma explicação plausível para Jacob ter tanto destaque, mas no final das contas há missões com ele que pra mim pareceram que não precisariam estar ali, enquanto as da Evie pareciam ser mais corridas. É chato assumir o que você já está esperando: Evie perdeu espaço para o irmão por ser mulher, mesmo motivo pelo qual Jacob ficou no centro da capa do jogo. Porém isso é algo antigo nos jogos, as mulheres possuem menos espaço que os homens, a Ubisoft passou anos evitando personagens mulheres com maiores destaques e dando desculpas bem ruins para fazerem isso.

É uma pena, o jogo é bom, eu gostei bastante e pretendo voltar para fazer as missões depois da história principal que incluem a rainha Victoria, mas é desanimador pensar que Evie tem tanto espaço a menos que o irmão. Eu, que usei ela em todas as chances que pude, consegui perceber esse desequilíbrio, então imagina quem varia mais entre os dois? E é tão absurdo, a busca dela pode ser até considerada mais importante que a do irmão e ela é uma personagem muito interessante.

Recomendo o jogo, não me divertia tanto desde Assassin’s Creed 2, acho que os pontos positivos ultrapassam os negativos e li de várias pessoas que jogaram todos que Syndicate veio para salvar a série de um passado de jogos ruins. Porém, o jogo não é perfeito, possui alguns erros, principalmente essa questão do espaço menor que a Evie tem e, como uma mulher que tá cansada das mulheres terem sempre menos de tudo nos jogos, não dá pra ignorar isso. Espero que no próximo jogo eles considerem mais representatividade de mulheres. De qualquer forma é um jogo divertido, então vai lá!

Agora alguns poucos comentários com spoilers.

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Há uma parte em que podemos jogar algumas missões durante a primeira guerra mundial, que adiciona alguns fatores na história do jogo. Por um lado, fiquei perdida, porque mal lembrava de toda a participação de Juno na série, mas ao mesmo tempo achei que, não só foi divertido, mas gostei muito de a assassina da época ser uma mulher. Isso me anima em relação aos próximos jogos, talvez tenhamos um Assassin’s Creed na primeira guerra mundial e Lydia Frye seja nossa protagonista.

A linha do tempo atual é bem pouco explorada e o final é insatisfatório, parece que faltou alguma coisa, mas achei bem legal mostrar a Juno armando alguma coisa para conseguir as peças. Pode não ser tão surpreendente pra quem jogou todos os jogos, mas particularmente achei um toque legal. Mas desde o Assassin’s Creed 3, eu sinto que a participação da Juno é algo tipo “cachorro que late, mas não morde”, dá a impressão que a Ubisoft fica segurando a tal da destruição pra continuar lançando mais jogos, o que pode acabar com a história do jogo. Mas ao que tudo indica, Assassin’s Creed deu uma melhorada boa com Syndicate, então talvez os próximos jogos continuem a melhorar a saga.

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Um comentário sobre “Crítica: Assassin’s Creed Syndicate

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