6º Episódio: A Murder of Gods | Deuses Americanos

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Assim como Git Gone, o sexto episódio da série também é bem diferente do livro original. Além de ter criado um novo trio improvável, A Murder of Gods também dá espaço para um deus que nunca tinha sido abordado no livro: Vulcano, o deus romano do fogo.

Nesse episódio a série também mostra, se já não tinha mostrado antes, que não tem medo de tocar em assuntos políticos e delicados para o cenário atual dos Estados Unidos (e de outros lugares do mundo também). Não só com a cena inicial, mas também toda a introdução de Vulcano na história.

A Murder of Gods, por mais importante que seja para construir as regras do universo e de como o fantástico funciona, me pareceu um pouco repetitivo em certos momentos, avançando pouco na história principal, ou pelo menos não tanto quanto eu gostaria. Porém, o fato do foco ter sido mais dividido recupera um pouco a dinâmica do episódio.

Esse texto tem spoilers!

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13 Reasons Why e os assuntos que precisam ser falados

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É muito raro encontrar alguma pessoa que não tenha passado por algum tipo de bullying na escola. Mesmo eu, que não passei por muitas coisas difíceis na época do colégio, passei por episódios de bullying e certos aspectos de mim hoje são por causa desses momentos. Infelizmente isso é muito comum para muita gente e pode acabar de forma ruim quando não damos a atenção que esse assunto precisa.

Suicídio é outro assunto delicado. É algo sempre pesado e que não sabemos bem como lidar. O assunto suicídio apareceu na minha vida quando eu era bem nova, dentro da minha família. Quem a gente culpa? Existem culpados? O que a gente faz? O que poderíamos ter feito diferente? Como você explica isso para adolescentes?

Eu quis começar falando um pouco da minha própria experiência com esses assuntos porque não tem como assistir 13 Reasons Why e não pensar na própria vida. Depois de assistir os treze episódios, entendo porque tantas pessoas se sentiram tão conectadas. A série conta a história de Hannah (Katherine Langford), ou melhor, de como ela morreu. Depois que ela comete suicídio, seu amigo Clay (Dylan Minnette) recebe uma caixa com treze fitas. Quando ele começa a escutar, Clay descobre que são fitas de Hannah, onde ela fala os motivos que a levaram a se matar. Cada fita é dedicada a uma pessoa que fez algo com ela de alguma forma e, se as fitas chegaram em Clay, é porque ele é um dos motivos.

A crítica não tem spoilers da série ou do livro em que ela foi baseada.

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Esquadrão Suicida | Crítica

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Depois de vários vídeos, imagens, entrevistas e muitas informações “vazadas”, Esquadrão Suicida finalmente chega aos cinemas. Essa primeira parte da crítica será sem spoilers. Também aproveito esse momento para fazer uma reclamação: Ainda não recebi a grana da Marvel por falar mal da DC, acho um absurdo esse atraso nos pagamentos.

Dirigido por David Ayer, Esquadrão Suicida começa com Amanda Waller (Viola Davis) querendo formar uma equipe composta de prisioneiros muito perigosos. Ela acredita que, para os Estados Unidos enfrentarem as novas ameaças que virão, é preciso de pessoas poderosas que não teriam nada a perder entrando em missões extremamente perigosas. Ou seja, os vilões.

Pelo começo do filme, me pareceu que seria divertido. O filme faz questão de apresentar os personagens principais, que é bem legal para quem ainda não conhece ou não lê os quadrinhos e só conhece aquelas pessoas pelo nome. Visualmente é bonito, parece que o estilo da edição pode ser interessante, a trilha sonora é legal… Mas o filme não se sustenta. Depois da primeira parte dá para ver como a edição é falha e que as cores do filme não salvam. Depois que a curiosidade inicial passa, o filme não consegue prender a atenção do público e isso se dá por uma série de erros.

O roteiro é falho. Ele até tem um começo e aponta o lugar que pretende ir, mas todas as formas que o roteiro vai se montando e se conectando simplesmente não funcionam. As coisas simplesmente acontecem porque o roteirista quis, as motivações dos personagens não fazem sentido e não convencem.

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Há um momento específico que o filme faz um suspense sobre o que solta a “força do mal”, você compra a cena não ser totalmente explicada no começo porque poderia ser uma revelação legal, mas quando finalmente a resposta aparece, é algo que nós já sabíamos, um suspense desnecessário e barato.

E aí que tá o grande problema, o filme inteiro tem resoluções baratas e motivações rasas. O roteiro não sabe trabalhar seus personagens o suficiente para fazer o público comprar o que está acontecendo. Não que precise de um grande motivo filosófico para eles agirem, mas algo coerente o bastante com o universo em que a trama está inserida.

Há alguns personagens que se destacam, não por roteiro e direção, mas por atuação. Will Smith faz um bom trabalho e funciona como Pistoleiro, mas dá para perceber bem que é um trabalho bom do ator, que acaba não sendo melhor porque a produção do filme não ajuda. Outra que é boa independente do resto é Viola Davis, uma atriz incrível que, mesmo em uma história mal feita, consegue ter espaço e mostra o quão boa é.

Ah, a Arlequina… Por onde começar? Eu não acho que o problema tenha sido necessariamente a Margot Robbie, mas os diálogos da personagem eram bem complicados. Muitas das piadas do filme vinham dela, mas simplesmente não funcionava. Esquadrão Suicida tentou puxar para o filme de super-herói “engraçadinho”, mas no máximo duas piadas funcionam. E aquelas coisas todas que já sabíamos estão no filme: Sexualização, roupas que não fazem sentido, ângulos de câmera completamente absurdos… Agora já podemos falar com autoridade: o filme sexualiza sim a Arlequina, e isso é um ponto muito negativo.

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O Capitão Bumerangue e a Zatana parecem estar lá só para fazer volume, seus personagens mal encaixam na história. A Magia também é um dos grandes pontos negativos, não só a personagem é mal escrita, mas a atuação de Cara Delevingne não ajuda, além dela também ser sexualizada.

Jared Leto como o Coringa é desastroso. Eu tentei tirar todas as minhas imagens do Coringa da mente antes de ver o filme, tentando evitar comparações e ver se assim eu poderia gostar mais dessa versão. Mas não, simplesmente não funciona, parece uma junção mal feita de vários estereótipos do Coringa, que resulta em uma espécie de gangster que, sinceramente, também não parece encaixar com tudo que está acontecendo.

O filme esquece de desenvolvimento de personagem e dinâmica de grupo, aí no final eles esperam que a gente se convença com o desfecho e compre aquelas interações. Nem as cenas de ações divertem, talvez a primeira, até pelo fator “novidade”, o público preste atenção, mas depois cai no mais do mesmo, com uma edição que deixa tudo mais confuso.

Imagino que a ideia da produção era se sustentar em “personagens e momentos divertidos”, mas isso também precisa ser bem pensado para funcionar. No final das contas é isso que vira Esquadrão Suicida: Uma junção de personagens que no começo parecem que vão ser legais, com uma série de momentos que tentam ser marcantes, sem uma conexão bem feita entre eles. Talvez com isso a DC perceba que não basta marketing e “piadinhas de super-herói” para um filme funcionar.

Agora farei algumas considerações com spoilers.

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Por que não gostei do final de Penny Dreadful

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Aviso de spoilers da terceira temporada de Penny Dreadful.

Há um tempo atrás recebemos a notícia de que a terceira temporada de Penny Dreadful também seria a última. De acordo com os criadores da série, eles planejavam que a série terminasse nesse ponto e não fosse muito longa.

Normalmente eu faria uma crítica da temporada em geral, mas confesso que essa foi tão fraca em vários pontos que muitas coisas são até difíceis de lembrar. Em parte eu imaginei que isso tivesse acontecido pela série ser cancelada do nada, o que não daria tempo de terminar todos os arcos como os criadores gostariam. Até eu descobrir que aparentemente esse era o plano deles, deixando tudo confuso para quem assistia.

Em geral até o quarto episódio as coisas corriam bem, havia alguns elementos reciclados de outras temporadas, mas a volta do Drácula e uma possível segunda chance para os vampiros me deixou empolgada. Depois do episódio do flashback de Vanessa no manicômio, as coisas parecem simplesmente acontecer só para chocar o público. Boa parte dos personagens tiveram arcos que não pareciam acrescentar em nada, terminando em um ponto similar ao qual eles tinham começado.

Eu entenderia melhor esses arcos mal acabados se a série tivesse sido planejada para ter mais temporadas, mas do jeito que ficou não faz muito sentido. Algumas histórias até fecham de certa forma, como a de Dorian, mas ao mesmo tempo personagens novos ficam perdidos no meio da trama, como Dr. Jekyll e Catriona. Ambos pareciam que podiam ter acrescentado muito se tivessem sido melhores explorados. Também teve o caso de Lilly, Victor e Ethan, que passam por coisas que parecem não acrescentar nada para o personagem ou para a história. Ethan abraça seu lado das trevas, mas para que? Victor passa a temporada toda tentando capturar Lilly só para desistir do plano sem muita explicação. Lilly tenta criar um grupo para ajudar mulheres para no final não dar em nada.

No meio de tudo isso, a série termina matando sua personagem principal. Depois de tudo, Vanessa tem um final que vai contra muita coisa que a série nos tinha apresentado e para mim parece injusto com a personagem.

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Quem você vai chamar? Caça-Fantasmas!

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Essa crítica não tem spoilers!

Eu não sei o que me deixa mais feliz, o fato do filme realmente ser bom ou o prazer de ver que todos os nerds machistas estavam errados. Lembro que alguns dias antes de ver a pré-estreia do filme, estava falando com amigos que eu não esperava que Caça-Fantasmas fosse muito bom, que para mim ele ser divertido já era o suficiente. A sensação de um filme superar as suas expectativas é ótima.

O filme, dirigido por Paul Feig, começa mostrando Erin Gilbert (Kristen Wiig) tentando construir uma carreira acadêmica, mas as coisas dão errado quando Abby Yates (Melissa McCarthy) espalha o livro que elas escreveram sobre fantasmas. As duas voltam a trabalhar juntas quando eventos paranormais acontecem na cidade, mas agora elas também tem a ajuda da engenheira Jillian Holtzmann (Kate McKinnon) e da funcionária do metrô Patty Tolan (Leslie Jones). E é assim que vemos o novo quarteto de Caça-Fantasmas surgir.

Sempre tento entender a fascinação de Hollywood por ressuscitarem franquias antigas. É óbvio que o fator nostalgia conquista as pessoas, mas parece que vivemos em tempos em que estamos mais interessados em reciclar algo velho do que criar coisas novas. Não dá pra trazer uma franquia assim de volta sem algo novo, então nesses casos acho sempre legal a gente pensar no que o reboot pode trazer que não vimos ainda, porque se é tudo igual, basta assistir ao original. No caso de Caça-Fantasmas, a primeira novidade estava na primeira imagem revelada: Agora o quarteto era composto por mulheres.

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4º Episódio: Book of the Stranger | 6ª Temporada de Game of Thrones

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Gente, que episódio! Até assisti a reprise depois de tanto que gostei. Book of the Stranger nos mostrou cenas boas e relevantes na maioria dos núcleos e mostra que, definitivamente, as coisas vão ficar bem mais tensas daqui pra frente. O episódio segue a tendência dessa temporada de começar a amarrar vários problemas que não foram resolvidos ainda.

Book of the Stranger foi um episódio de alianças: irmãos se reencontrando, inimigos se unindo para derrotar um inimigo maior e acordos políticos. Além disso, senti que as personagens mulheres brilharam um pouco mais, o que é surpreendente nessa altura de Game of Thrones. Apesar de ter muitas personagens mulheres interessantes, a série muitas vezes diminui elas, todos lembramos da quinta temporada né? E não acho que com um episódio Game of Thrones pague todos os pecados, mas dessa vez, em boa parte (não tudo, como vou comentar logo) as mulheres pareciam mais fortes.

O texto contém spoilers do episódio.

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3º Episódio: Oathbreaker | 6ª Temporada de Game of Thrones

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Em geral: Eu não gosto de comparar episódios, mas Oathbreaker fica com uma sensação de “só?” depois de Home, além de vender uma expectativa que não cumpriu (ainda). De qualquer forma, era de se esperar que depois de muitos eventos bombásticos, a série diminuísse o ritmo. Ao mesmo tempo em que o episódio foi mais parado, Oathbreaker vai confirmando que a sexta temporada vai dar uma corrida na história de Westeros.

Há algumas incoerências e partes que poderiam até não estar lá ou ter sido melhoradas. Apesar de meio morno (mas ainda melhor que o primeiro), Oathbreaker dá uma pausa nos grandes eventos e volta para o papel de começo de temporada de colocar as peças no lugar, então cumpre seu papel. Também vai dando um tom maior de que essa temporada será o começo de resoluções que estamos esperando há anos.

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